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Eu sou feliz (20/06/2008)

Cada vez mais percebo o quanto eu sou uma pessoa feliz e o quanto minha vida, apesar de todos os percalços, causados por uma epilepsia de difícil controle puderam até influenciar de alguma forma negativamente em minha situação atual, mas com certeza tenho muito mais pontos positivos a serem destacados em uma vida de apenas 37 anos ainda e que tem muito a ser construído pela frente.

Ontem (19/06/2008) em uma reunião com outros dois pacientes, que assim como eu utilizam o VNS e passam por situação “semelhante” de tratamento percebi mais uma vez que o fato de ter epilepsia não nos impede de ser inteligentes e discutir assuntos que possam fazer crescer uma sociedade que é tão grande, mas aparece tão pouco perante todos, creio que por um único e fatídico motivo, o preconceito. Infelizmente a palavra epilepsia, por incrível que pareça, ainda é vista de forma pejorativa e se podemos dizer assim generalizada, pois caracteriza uma situação que pode ser diferenciada em inúmeras formas e maneiras de ser manifestada, mas que ainda se representa por algo que chega até a caracterizar preconceituosamente uma doença que caracteriza uma “debilidade” ou qualquer outro “desvio” mental.

O que importa de verdade é que independente de sempre ter tido até uma super proteção por parte de alguns familiares eu sempre, por orientação de minha Mãe, procurei não me achar inferior a ninguém pelo simples fato de ter epilepsia e tenho certeza que algumas coisas poderiam ter sido muito mais fáceis caso não tivesse batalhado nem enfrentado, mas com certeza eu jamais teria sido vencedor em muitas delas que hoje me sinto realizado e feliz por isso, portanto acreditar na vida e que independente de quaisquer que possam ser as nossas diferenças sempre podemos alcançar os nossos objetivos é algo que temos que ter dentro de nosso coração e estarmos satisfeitos com nossa vida nos fará pessoas muito mais felizes, mas acreditem que jamais devemos pensar que somos completas, pois no dia que isso acontecer nossos sonhos acabarão e nossa vida perderá seu principal combustível.

Hoje sinto falta de algo muito importante em minha vida, mas como posso dizer que sou uma pessoa triste se todos os dias de manhã eu tenho uma filha linda que me dá um beijo e um abraço e diz que me ama? Somente isso já seria motivo para sorrir por todo o dia e pensar que essa sim é a maior vitória da minha vida e que nada no mundo pode ser maior ou melhor do que o amor e o carinho espontâneo de um filho.  Minha filha é como um anjo em minha vida, ela representa tudo o que pode existir de melhor em uma pessoa e percebo que apesar de sua pouca idade, pois tem apenas 2 anos e 10 meses, nós nos entendemos muito bem e sabemos transmitir o que sentimos um pelo outro e poder tocar o rosto de uma criança e olhá-la profundamente dentro de seus olhos e perceber em toda a sua sinceridade o quanto ela gosta de você é o maior presente que a vida pode dar a alguém que sempre lutou em busca da felicidade.

Quem sabe o que acontecerá amanhã? Até hoje eu não encontrei a minha “bola de cristal”, mas com certeza eu posso lhes afirmar uma coisa eu continuarei batalhando sempre em busca de cada dia poder ser uma pessoa ainda melhor do que sou hoje e um exemplo para aquela que um dia possa olhar para trás e dizer: “Aquele cara era meu Pai”.

Eduardo Caminada Júnior


Palavras de Gandhi (06/07/07)

Mantenha seus PENSAMENTOS positivos, porque seus pensamentos tornam-se suas PALAVRAS. Mantenha suas PALAVRAS positivas porque suas palavras tornam-se suas ATITUDES.           Mantenha suas ATITUDES positivas porque suas atitudes tornam-se seus HÁBITOS.           Mantenha seus HÁBITOS positivos porque seus hábitos tornam-se seus VALORES.            Mantenha seus VALORES positivos porque seus valores tornam-se seus DESTINOS".  

Mahatma Gandhi ("Mahatma", do sânscrito "A Grande Alma") (2 de Outubro de 1869 - Nova Déli, 30 de Janeiro de 1948) foi um dos idealizadores e fundadores do moderno estado indiano e um influente defensor do Satyagraha (princípio da não-agressão, forma não-violenta de protesto) como um meio de revolução.

O princípio do satyagraha, freqüentemente traduzido como "o caminho da verdade" ou "a busca da verdade", também inspirou gerações de ativistas democráticos e anti-racistas, incluindo Martin Luther King e Nelson Mandela. Frequentemente Gandhi afirmava a simplicidade de seus valores, derivados da crença tradicional hindu: verdade (satya) e não-violência (ahimsa).

Sempre que "trabalhamos" positivamente seja com nossos pensamentos, palavras, atitudes, habitos ou valores sempre teremos um retorno também positivo da vida. De nada adianta querer se não acreditamos naquilo que queremos.

Como portador de epilepsia sou um grande positivista mesmo quando algo de negativo possa acontecer, o importante é sempre acreditar que se pode mais e que o retorno para quem acredita é muito mais fácil do que para quem sequer deseja.

Saber ver o lado bom das coisas e acima de tudo aproveitar cada momento bom e valoriza-lo em sua luta é o importante para que tenhamos sonhos possíveis e realizáveis. Acreditar e ser positivo é o início para tudo, o resto é apenas consequência de seus atos.

Eduardo Caminada Junior 


Poema de hoje (29/06/07)

Tantos sonhos
Tantas conquistas
Tantas portas a serem abertas
Tantas noites mal dormidas
Tantas tristezas e desilusões

O importante é que eu
Sempre acreditei em mim
Sempre acreditei em você
E sabia que um dia o melhor ia chegar

A paciência foi e sempre será necessária
O respeito pela vida da mesma forma
O destino é o certo se o certo fizer

Às vezes me perco na minha loucura
Loucura essa responsável, cheia de regras.
Mas que me permite encontrar o prazer
Que está presente nas menores e maiores coisas
Basta se dar valor para ganhar intensidade

Pode ser até que isso seja de hoje
Pode ser até que isso seja de sempre
O que importa é que estou feliz em poder continuar acreditando
E se não conquistar sei que lutei e sinto-me forte.
Se conquistar estou pleno.


Eduardo Caminada Junior


Deepak Chopra (22/06/07)

Nasceu na Índia, em 1947, onde se formou em medicina pela universidade de Nova Deli. Especialista em endocrinologia, exerce a profissão desde 1971, onde chefiou a equipe do New England Memorial Hospital. Em 1985, fundou a Associação Americana de Medicina Védica. Em 1993 muda-se para S. Diego e abre o "The Chopra Center For Well Being", onde desenvolve os seus próprios programas e cursos para o desenvolvimento pessoal.

Segundo Deepak Chopra, autor de mais de 25 livros, traduzidos em 35 línguas, tais como "A Cura Quântica", "As Sete Leis Espirituais Do Sucesso", "Criando Saúde", incluíndo cinco programas para a televisão pública dos EUA, "se compreendermos a nossa verdadeira natureza e soubermos viver em harmonia com as leis naturais, a sensação de bem-estar, de entusiasmo pela vida e a abundância material surgirão facilmente".

Em 1999, a revista Time incluía-o na sua lista das 100 personalidades do século, chamando-lhe "poeta e profeta das medicinas alternativas".

"Somos as únicas criaturas na face da terra capazes de mudar nossa biologia pelo que pensamos e sentimos!
 Nossas células estão constantemente bisbilhotando nossos pensamentos e sendo  modificados por eles. Um surto de depressão pode arrasar seu sistema imunológico; apaixonar-se,   ao contrário, pode fortificá-lo tremendamente.

A alegria e a realização nos mantém saudáveis  e prolongam a vida.
A recordação de uma situação estressante, que não passa de um fio de pensamento, libera o mesmo fluxo de hormônios destrutivos que o estresse.

Suas células estão constantemente processando as experiências e metabolizando-as de acordo com seus pontos de vista pessoais.

Não se pode simplesmente captar dados brutos  e carimbá-los com um julgamento.

Você se transforma na interpretação quando a internaliza.

Quem está deprimido por causa da perda de um emprego projeta tristeza por toda parte no corpo – a produção de neurotransmissores por parte do cérebro reduz-se, o nível de hormônios baixa, o ciclo de sono é interrompido, os receptores neuropeptiídicos na superfície externa das células da pele tornam-se distorcidos, as plaquetas sanguíneas ficam mais viscosas e mais propensas a formar grumos e até suas lágrimas contêm traços químicos diferentes das lagrimas de alegria.  

Todo este perfil bioquímico será drasticamente alterado quando a pessoa encontra uma nova posição. Isto reforça a grande necessidade de usar nossa consciência para criar os corpos que realmente desejamos.

A ansiedade por causa de um exame acaba passando, assim como a depressão por causa de um emprego perdido.

O processo de envelhecimento, contudo, tem que ser combatido a cada dia.

Shakespeare não estava sendo metafórico quando Próspero disse: “ Nós somos feitos da mesma matéria dos sonhos.”

Você quer saber como esta seu corpo hoje?

Lembre-se do que pensou ontem

Quer saber como estará seu corpo amanhã?

Olhe seus pensamentos hoje! 

Ou você abre seu coração, 
ou algum cardiologista o fará por você!” 

Eduardo Caminada Junior


Assim dizia Napoleão Bonaparte (25/05/07)

"A vitória pertence ao mais perseverante."

Desta vez é desnecessário descrever algo sobre a biografia de Napoleão, pois tudo está descrito no tópico "História" em espaço reservado somente a ele já que foi um portador de epilepsia famoso e mereceu palavras de destaque para conhecimento de todos.

Quanto às palavras ditas basta entender que para vencer é primeiro preciso acreditar que a vitória é possivel, sempre que entramos em um "batalha" temos que ter convicção de que podemos vencê-la, pois lutar por lutar sem sequer poder sonhar com um resultado positivo não é nada animador nem estimulante, temos que estar certos de que podemos sim sair vencedores e mesmo que as chances sejam mínimas nunca podemos deixar de acreditar que elas existem e devemos nos apegar com todas as nossas forças a elas, pois só assim poderemos chegar ao ponto máximo de nossos objetivos.

Portanto acreditar que tudo sempre é possível é algo básico para quem quer um dia vencer, o que nunca podemos é abaixar a cabeça quando as derrotas batem à nossa porta, mesmo porque aprendemos e muito com elas para que possamos crescer ainda mais, apreender e quem sabe não cometer os mesmos erros em uma próxima circunstância semelhante.

Perseverar é qualidade que apenas pessoas "grandes" têm e saber vencer não é apenas questão de força, mas sim de inteligência e muita dedicação.

Viver com epilepsia há mais de 32 anos é algo que poderia ser desanimador, mas nunca "joguei essa toalha" e continuo lutando até o momento em que eu vou chegar a uma vitória, todo o tempo anterior, os tratamentos mal sucedidos e terapias disperdiçadas foram aprendizados para que eu chegasse hoje com força a esse novo tratamento e se não der certo, o que não penso dessa forma, eu estarei pronto para outro e outro sempre, pois acreditar e perceverar é algo que carrego comigo por todo esse tempo e sei que em algum momento algo será possível e trará os benefícios que eu espero. Tomara que seja hoje.

Eduardo Caminada Junior


Marca X Genérico (22/05/07)

Existe uma controvérsia quanto ao fato das drogas antiepileticas (DAEs) genéricas serem intercambiáveis com drogas de marca, no que diz respeito a eficácia e eventos adversos.

Drogas antiepileticas (DAEs) de marca são comumente substituídas por DAEs genéricas. De fato, se todos os requisitos de prescrição forem preenchidos, o médico, o farmacêutico e o paciente têm a segurança do Food and Drug Administration  (FDA) de que o médico deverá observar o mesmo resultado clinico e perfil de segurança.

Apesar dessa segurança, tanto os farmacêuticos quanto os médicos têm preocupações a respeito da substituição de medicamentos específicos por genéricos. Em particular, a estreita faixa terapêutica e a baixa solubilidade em água da fenitoína e da carbamazepina, assim como a farmacocinética não linear da fenitoína, apresentam-se como questões significantes relacionadas à substituição por genéricos. De acordo com o FDA, drogas que têm uma razão terapêutica estreita, definida como “uma diferença de menos de duas vezes entre a dose mediana letal (LD50) e a dose mediana efetiva (DE50), ou uma diferença de menos de duas vezes entre a concentração tóxica mínima e a concentração mínima efetiva no sangue, e o uso efetivo e seguro dos produtos da droga no sangue requer titulação cuidadosa da dose e monitoração do paciente”, são susceptíveis aos “problemas de bioequivalencia reais ou potenciais”. O FDA não mantém uma lista de drogas de razão terapêutica estreita, mas todas as DAEs provavelmente deveriam ser incluídas nesse grupo. No entanto a FDA não exige condições de bioequivalencia mais rigorosas na substituição de drogas de razão terapêutica estreita, embora esta possibilidade seja admitida. 

Em uma pesquisa respondida por 301 neurologistas as respostas obtidas, após a substituição de um medicamento de marca por um genérico, foram as seguintes:
 
67,8% Relataram convulsões inesperadas
56% Relataram aumento de efeitos colaterais 

A questão da substituição das drogas genéricas é complexa e ainda pouco compreendida pelos médicos. Embora as drogas genéricas precisem ter o mesmo ingrediente ativo, os ingredientes ativos podem ser diferentes. A faixa de 80-125% de bioequivalencia aceitável exigida pelo FDA não é baseada em exigências, e sim estabelecida por especialistas médicos. Estudos de bioequivalencia para fim regulatórios são desenhados para adultos saudáveis, o que levanta a questão de sua aplicabilidade para pacientes. 

Fonte: Comunicação Breve / Epilepsy & Behavior 5 (2004) 995-998

Canção do Novo Mundo (18/05/07)

Beto Guedes

"Quem sonhou
Só vale se já sonhou demais
Vertente de muitas gerações
Gravado em nosso corações
Um nome se escreve fundo
As canções em nossa memória
Vão ficar
Profundas raízes vão crescer
A luz das pessoas
Me faz crer
E eu sinto que vamos juntos

Oh! Nem o tempo amigo
Nem a força bruta
Pode um sonho apagar

Quem perdeu o trem da história por querer
Saiu do juízo sem saber
Foi mais um covarde a se esconder
Diante de um novo mundo

Quem souber dizer a exata explicação
Me diz como pode acontecer
Um simples canalha mata um rei
Em menos de um segundo
Oh! Minha estrela amiga
Porque você não fez a bala parar

Oh! Nem o tempo amigo
Nem a força bruta
Pode um sonho apagar

Quem perdeu o trem da história por querer
Saiu do juízo sem saber
Foi mais um covarde a se esconder
Diante de um novo mundo"


Einstein disse (08/05/07)

"A coisa mais bela que podemos experimentar é o mistério. Essa é a fonte de toda a arte e ciências verdadeiras."

Albert Einstein (1879 - 1955) Foi um dos maiores génios da Física, ele foi o físico que propôs a teoria da relatividade. Ganhou o Prémio Nobel da Física de 1921 pela correta explicação do Efeito fotoeléctrico; no entanto, o prémio só foi anunciado em 1922. O seu trabalho teórico possibilitou o desenvolvimento da energia atômica, apesar de não prever tal possibilidade sua opinião foi contra o desenvolvimento de arma de destruição em massa. Após a formulação da teoria da relatividade em Junho de 1905, Einstein tornou-se famoso mundialmente, na época algo pouco comum para um cientista. Nos seus últimos anos, a sua fama excedeu a de qualquer outro cientista na história, e na cultura popular, Einstein tornou-se um sinónimo de alguém com uma grande inteligência e um grande génio. A sua face é uma das mais conhecidas em todo o mundo.

Tudo o que é novo é sempre um verdadeiro mistério e são nas novidades que encontrados as soluções de problemas e das teorias mais complexas possíveis, creio que de uma maneira bem simplista, com toda a permissão às palavras de Eisntein, tenha sido exatamente isso o que ele quis dizer nessa sua pequena frase de menos de duas linhas.

O que posso acrescentar ainda a tudo isso é que eu acredito que as soluções para todas as coisas, independente do quão misteriosa e nova ela possa ser com certeza está nas atitutes e gestos simples.

Falo isso por experiência própria, pois tenho a plenha consciência que sou uma pessoa complexa e que por poucas vezes consegue enxergar os caminhos fáceis e procuro semple os mais complicados para resolver os meus complexos, pode ser que isso seja algo da minha personalidade e que ainda se aperfeiçoou com a minha formação matemática, mas o que importa é que eu tenho ao menos a idéia de que eu posso ser simples e por muitas vezes consigo e como é bom resolver as coisas rapidamente e semmuitas complicações.

Voltando ao inteligentíssimo Einstein, o que seriámos de nós, da arte, da ciência e de tudo em absoluto sem o mistério? Sem o novo a ser descoberto? É por isso, que nós não podemos ter medo do novo e devemos estar sempre dispostos e propostos a receber o que os mistérios da vida possa nos oferecer.

A minha relação diária com a epilepsia é uma relação de mistério, eu nunca sei quando, onde, porque nem quantas crises eu vou ter em um dia por exemplo e o fato de ter estado bem, não implica em pensar que o dia seguinte será da mesma forma, pois o mistério não permite que eu pense dessa forma. Na verdade gostaria que esse mistério não existisse e que a dúvida fosse sanada da forma que as crises fizessem parte do passado e que os meus mistérios fossem outros menos os relacionados à epilepsia, de qualquer forma, enquanto isso não acontece vamos ver o que os mistérios da vida tem a nos oferecer.

Eduardo Caminada Junior


Palavras de Fellini (18/04/07)

"Não há nenhum fim. Não há nenhum começo. Há somente a paixão da vida."

Federico Fellini (1920 - 1993) foi um dos mais importantes cineastas italianos.Fellini ficou eternizado pela poesia de seus filmes, que mesmo quando faziam sérias críticas a sociedade, não deixavam a magia do cinema desaparecer.

O que mais pode nos guiar, senão a paixão pela vida?

Sempre que estamos apaixonados pela vida, e este é um verdadeiro princípio de sobrevivência, não nos damos conta de onde as coisas começam ou terminam, pois na verdade tudo se apresenta em sequência sem que tenhamos sequer tempo para pensar o que vamos fazer daqui para frente. Uma vida guiada pela paixão e com raizes fortes na razão estará sempre propensa a seguir os melhores caminhos e trará sempre os melhores resultados àqueles que lutam e fazem por merecer.

Procuro a melhor maneira de viver com epilepsia, pois sou um apaixonado pela vida e por tudo que ela me propicia e tenho certeza que ainda virá a trazer coisas muito melhores mas que eu, assim como Fellini, não entenderei como o começo ou fim de nada, mas sim como passagens necessárias e constantes para alguém que está em busca de um crescimento incessante e que pretende fazer muito pelo próprio desenvolvimento e auxiliar no desenvolvimento de todos aqueles que se interessarem e estiverem em busca de informações e um pouco mais.

Às vezes, as pessoas me deixam chateado pelas suas atitudes perante a vida e eu penso que se eu tivesse as oportunidades que essas pessoas têm eu jamais seria da forma que elas são, mas tenho certeza que as oportunidades são dadas às pessoas certas e nas horas certas e o ser humano não se faz somente de grandes méritos e conquistas, mas principalmente de um grande caratér. 

Aos seres verdadeiramente inteligentes os méritos e conquistas são consequencias certas, basta ter paciência e fazer para que isso aconteça. Jamais espere algo de ninguém e viva a vida como se cada momento fosse verdadeiramente o último cheio de paixão, vontade e dedicação.

Eduardo Caminada Junior

Um pouco de Cora (13/04/07)

"O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher."

São palavras da poetisa brasileira Cora Coralina (1889-1985), pseudônimo utilizado por Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas. Começou a escrever aos catorze anos, mas só teve seus poemas reconhecidos e começou a ser admirada por todo o Brasil depois de ter seu texto conhecido por Carlos Drumond de Andrade e sendo assim teve seu primeiro livro editado em 1965.

O que podemos tirar de importante dessa frase é que pouco importa por onde começamos o nosso "trabalho" em busca de nossos objetivos e sonhos, o que importa na verdade é que esse trabalho seja bem feito e que a luta seja enfrentada da maneira mais honesta e correta possível e que possamos assim, de alguma forma, poder colher os frutos dessa luta conquistando aquilo a que nos propomos ou então ao menos nos sentindo felizes por ao menos termos lutado e feito o máximo para que o melhor fosse possível estando em todos os momentos somente pensando no melhor, tanto seu como dos outros também.

Na minha luta diária, não digo contra, mas sim ao lado da epilepsia, pois foi entendendo ela como parceira que fez com que compreendesse algumas coisas mais facilmente, eu procuro a cada instante fazer algo mais para quem sabe em algum momento ter uma resposta que traga algum benefício ao meu próprio tratamento e que possa mudar o rumo da minha vida.

A melhor coisa que eu fiz foi a busca por dados e a procura por pessoas e relacionamentos com interesse de trocas mútuas de informações que pudessem me trazer algo de novo e proporcionar oportunidades que eu não teria anteriormente caso continuasse sem medo de me expressar, mas com pouca visibilidade para todos.

Eduardo Caminada Junior

Construir ou destruir (10/04/07)

Tudo tem sempre dois aspectos ou duas visões, mas apenas conseguiremos alcançar algo de positivo se partirmos em busca do lado bom, então podemos estar passando por um momento difícil, ou até mesmo, tendo a perspectiva de um futuro incerto, de qualquer forma precisamos enxergar qual é o lado bom de tudo que está acontecendo.

Desde que tive o diagnóstico de epilepsia demorei um pouco para perceber, mas acabei entendendo que por mais difícil que poderia ser viver com os problemas que a epilepsia iria me proporcionar eu com certeza deveria encontrar a minha felicidade em algum lugar e a epilepsia nunca deveria estar em primeiro plano na minha vida, sempre deveriam existir coisas mais importantes que permitiriam com que eu pudesse ser muito maior do que a doença.

Sempre vivi paralelamente com a epilepsia, mesmo porque seria impossível perder esse vínculo de algo que me acompanha diariamente e sempre se faz por lembrar da sua existência, mas até aproximadamente cinco anos atrás eu não a tinha como verdadeira parceira como tenho hoje. Na verdade antes não posso dizer que a epilepsia construía nem destruía nada em minha vida, apenas eu tinha aprendido uma forma de viver que fazia com que ela atrapalhasse o menos possível ao meu desenvolvimento, é claro dentro de todos os limites impostos e respeitados, sempre. Atualmente sim tenho uma postura que me leva a pensar que faço algo que possa construir, com meus trabalhos já realizados anteriormente e no momento.

Sinto-me melhor agora, pois antes parecia que estava escondendo algo de mim mesmo e agora não. Trabalhar por uma vida melhor aos portadores de epilepsia fez com que eu acreditasse cada vez mais nessa causa e conhecesse pessoas especiais que trouxeram momentos e experiências novas a minha vida e fizeram muito pelo meu conhecimento e informação.

Sendo assim, é sempre bom construir e crescer e mesmo quando o momento for o pior possível existe algo de bom para ser tirado dele.

Eduardo Caminada Junior


É preciso aderir (16/03/07)

Estar desinformado e ver o tratamento com indiferença pode ser muito grave, o que pode até levar as pessoas a desistirem no meio do caminho, isso se chegarem até lá.

É preciso sempre acreditar que o tratamento pode transformar a sua vida e encarar da maneira mais séria possível. Aderir ao tratamento é mais que simplesmente o fato de administrar de forma correta os medicamentos prescritos pelo médico, é aceitar e reconhecer a sua importância como parte principal do desenvolvimento do processo como um todo e entender que sempre que nos propomos a aceitar e participar de algo é preciso conhecer e muito bem antes, portanto coloque-se na verdadeira posição de paciente e pergunte e questione sempre que surgir uma duvida e siga rigorosamente aquilo que o profissional que você confia lhe propõe.

Provavelmente, muitas pessoa, por falta de informações, depois de consultar "uma" vez o médico e ser orientada a tomar um determinado medicamento, mantém o mesmo tratamento sem sequer realizar novas consultas, ou procedimentos para poder avaliar o andamento do seu caso em específico. Não sou médico para poder avaliar, mas converso com algumas pessoas e sei que isso acontece, o que apenas ajuda a manter e perpetuar as idéias ultrapassadas em relação à doença.

Visite frequentemente o médico, realize ezames, tenha cuidados com a saúde em geral, informe-se a respeito do que não sabe para que nós consigamos eliminar todos esses mitos que "rondam" a doença e acima de tudo aceite o diagnóstico e entenda que ser portador de epilepsia não é motivo de vergonha para ninguém e àqueles que ainda pensam com preconceito em relação a doença devemos dar o valor que merecem e pode ter certeza que se não são capazes de entender que a informação é tudo na vida das pessoas, também não são merecedores da sua atenção. 

Em geral, a quebra de todos esses estigmas somados a manutenção da sua auto-estima faz com que encaremos de maneira diferente o nosso tratamento. É preciso sempre lembrar que os consultórios médicos não são os únicos meios de informações, existem também as associações que se distribuem por todo o Brasil e alguns sites como este.

Eduardo Caminada Junior


Palavras de Platão (02/03/07)

Certa vez Platão disse: "Os números dominam o mundo".

Naquele momento esse comentário foi visto de forma em que o grande filósofo que nasceu em 427 a.C. estava creditando à ciência Matemática o domínio do mundo e não agradou a todos.

Hoje, apesar de vivermos em uma cultura aonde pouco se valoriza a ciência não podemos negar a veracidade das palavras citadas por Platão. São poucas as pessoas que conseguem enxergar o que será do futuro, mesmo porque vivemos em um mundo aonde as influencias do homem sobre ele geram resultados inesperados e nem temos o poder de prever nada com tanta precisão em um período de tempo muito grande, mas quando Platão citou essas palavras elas já faziam parte de seu presente e hoje a cada dia que se passa vemos o quanto ele estava certo.

Como moraríamos em nossas casas se não fossem os números para construí-las, como andaríamos em nossos veículos, qual seria a referência de crescimento do mundo, como você identificaria o resultado de um exame médico, como daríamos valor aos nossos bens, como planejaríamos a cidade em que vivemos? E assim por diante.

Porque falar de números em um blog que fala sobre epilepsia? Primeiro pela minha origem e interesse pela Matemática e depois porque são exatamente os números que nos mostram o quanto precisamos continuar lutando pelo propósito de uma vida melhor aos portadores de epilepsia em busca de conhecimento e fazer com que a grande porcentagem de pessoas que se escondem com vergonha da doença que possuem tenham uma postura completamente diferente em relação à vida e possam literalmente deixar a epilepsia fora das sombras.

Você já pensou o que seria da sua vida se não fossem os números?

 
Eduardo Caminada Junior


Possessão Demoníaca (27/02/07)

Durante muitos anos era dessa forma que os portadores de epilepsia eram vistos e muitos chegaram a ser julgados pelo catolicismo e até mesmo queimados em fogueiras por estarem possuídos pelo demônio na Idade Média. Era assim que a igreja via àqueles que sofriam com essa doença.

Muitas coisas, puramente físicas, eram atribuídas a problemas espirituais e hoje ainda a falta de informação e conhecimento leva muitas pessoas a acreditarem nas palavras de pregadores e pessoas que têm um interesse muito grande em fazer com que esses conceitos sejam entendidos dessa forma.

Durante algum tempo cheguei até a pensar na possibilidade de quem sabe as minhas crises terem um caráter espiritual, mesmo porque demorei muito tempo para descobrir que tinha uma lesão no lobo parietal esquerdo e que esse era o foco das minhas crises. Apenas descobri com a evolução dos exames e definição de resultados o que me deixaram aliviado.

Não sou descrente e nem deixo de ter fé, mas sou extremamente realista e me incomodava muito não saber o porque das crises e hoje se acredito em algo é porque tenho certeza da sua possibilidade de existência e meus sonhos são baseados no que eu acredito ser capaz e não em pensamentos utópicos e pouco prováveis.

Respeito a tudo e todos, mas não queiram fazer com que eu entenda e relacione a solução da vida a associação à instituições religiosas e entenda que tudo pode ser diferente se um dia eu aceitar esses conceitos.

Tenho minha fé, como já disse, acredito nos conceitos que acho que me trazem algo de positivo e não desejo mudar por isso, e em quem ou o que eu acredito nunca precisei pagar nada para acreditar.

 
Eduardo Caminada Junior


E o tempo passa... (14/02/07)

Depois de tanto tempo como portador de epilepsia, mais de três décadas, o balanço que faço hoje é que já passei por dias melhores, assim como já passei por dias piores também.

Do começo para cá muita coisa mudou inclusive na característica das crises e até hoje eu posso especificar como elas são regularmente, mas não consigo determinar tempo tem intensidade, pois podem ser diferentes de uma para a outra. Ou seja, a cada crise tenho uma nova expectativa, mas nada que me surpreenda nem muito fora do padrão.

As consequências que as crises trouxeram a minha vida foram mudando com o passar do tempo e tive que acabar me adaptando a cada uma das épocas, o que não quer dizer que me diga satisfeito e realizado vivendo da forma que vivi ou vivo, apenas procurei fazer o melhor que pude dentro dos limites que a epilepsia e a sociedade me impuseram, tenho consciência que poderia ter feito muito mais, mas pelo menos eu faço.

Hoje creio que uma das coisas que faço que me deixa mais feliz é usar a epilepsia não como argumento de referência em doença e sim como um meio que encontrei de me "conectar " à outras pessoas que passem, direta ou indiretamente, pelos mesmos problemas que eu e tento mostrar a todos que apesar de termos uma vida difícil não temos que jamais abaixar a cabeça e lutar pelos nossos sonhos é necessário para quem quer ser feliz e todos somos capazes de alcançá-los, independente de qualquer coisa.

Só aprendi a viver "bem" com a epilepsia no dia em que não a enxerguei mais como inimiga e algo ruim e que só poderia trazer coisas ruins para mim. Não temos que ver coisas boas até nas piores coisas e momentos? Então foi exatamente isso que pensei e refleti: O que poderia tirar de bom da epilepsia?

Vamos ficando mais velhos o tempo vai nos mostrando coisas e todos aqueles que procuram crescer e vencer estão sempre dispostos a um terceiro verbo, "APRENDER".

Eduardo Caminada Junior


Medo (13/02/07)

Você tem medo de que?

Todos temos medos, uns maiores, outros menores, uns conscientes outros nem tanto. Independente de quais sejam os mais importantes são aqueles que não percebemos mas limitam inconscientimente as nossas atitudes e fazem com que possamos agir da maneira mais correta possível.

Por muitas vezes as pessoas têm medo do que o destino pode lhe oferecer, coisas que são inevitáveis e mesmo sabendo disso nunca estamos preparados para isso, como perdas e desilusões, o que temos que entender é que devemos estar prontos para enfrentar aos nossos desafios com dignidade e determinação porque somente assim mesmo nos momentos mais difíceis eu saberei enxergar coisas boas para poder usar como um verdadeiro "gancho" que me dê a oportunidade de erguer a cabeça e encontrar novos horizontes para seguir em frente.

Na verdade não temos que ter medo da vida, temos sempre que lembrar que a vida é consequência dos nossos atos, quanto às  pessoas, encontraremos sempre aquelas de boa e de má índole e nunca será diferente, independentemente do seu jeito de ser, basta que você saiba agir perante todas elas e imponha seu ideal e demonstre que não tem medo de ninguém e acima de tudo que trata e gostaria de ser tratado de igual para igual com todos, sem distinção ou preconceito algum.

Para que as pessoas percebam que eu não tenho medo delas e se sintam seguras, e acreditem no que eu falo, eu procuro sempre olhar nos olhos delas porque eu teria muito medo de mentir ou passar uma imagem que não é a minha de verdade e àquelas pessoas que não conseguem me enxergar dessa forma pode ter certeza que não conseguiu olhar dentro dos meus olhos e não merece a minha preocupação.

 
Eduardo Caminada Junior


E aí? (31/01/07)

Certa vez, um diretor de uma escola católica na qual eu estudava, que era padre, dirigiu-se a minha mãe e com palavras duras lhe disse que eu não tinha condições de estudar naquela escola pois era uma criança doente e ela deveria procurar uma escola para crianças especiais para me matricular e tudo isso por eu ser uma criança levada e passando por um momento difícil da separação dos meus pais.

Aquele foi o primeiro momento em que eu percebi o que era o preconceito, é claro que não sabia com suas definições e clareza, mesmo porque tinha apenas 7 anos de idade, mas me senti mal pelo acontecido.

Hoje vejo tudo de forma clara, mas ainda não entendo como um padre em sua "posição" de líder dentro da maior entidade mundial que é a igreja católica poderia tomar aquela posição de desprezo e desrespeito com uma mãe e seu filho.

Vivemos em um mundo onde as pessoas, independentes de suas posições de "status" dentro da sociedade são capazes de todo e qualquer tipo de sentimento e atitude e por ter passado por tantas coisas em minha vida estou sempre com o pé atrás em relação a tudo e todos, mas não sou capaz de abaixar a cabeça e me sentir oprimido quando sofro qualquer tipo de preconceito ou acusação que sei não ter procedência.

Acho que por algumas vezes o fato de ter uma memória muito boa não é uma qualidade e acabo remoendo e guardando coisas e lembranças de fatos que não me fazem bem, de qualquer forma procuro separar o bom do ruim e viver com o que e quem me dá prazer. 

Apesar de sermos portadores de epilepsia não somos obrigados a passar por situações constrangedoras impostas por pessoas mal informadas e pouco inteligentes incapazes de perceber o quanto somos iguais uns aos outros num mundo que dele nada se leva alem de sabedoria.
 

Eduardo Caminada Junior


Homem X Máquina (30/01/07)

Trabalho diariamente na frente de um computador, por aproximadamente 12 horas e é difícil imaginar a minha relação com o mundo sem o meu micro. Esse romance começou há mais de 20 anos atrás quando comprei meu primeiro computador e comecei a estabelecer um vinculo de interesse e crescimento pessoal para que pudesse ter um futuro profissional com oportunidades e portas se abrindo em uma época que quem tinha essa qualificação era muito valorizado no mercado.

Hoje, depois de tanto tempo, acredito que tudo isso foi útil, mas fazendo uma associação acabo me questionando a respeito da importância que as máquinas têm em nossas vidas e acabo por ter a certeza de que eu dificilmente conseguiria viver sem meu micro.

Independente de qualquer coisa e da importância que as máquinas têm em nossas vidas temos que acreditar que existem coisas muito maiores e de fundamental importância para continuarmos em busca de nossos objetivos que são os sentimentos, jamais possíveis de serem representados por uma máquina, mas muito simples quando falamos de relações interpessoais.

Posso programar minha vida, inclusive utilizar meu computador para facilitar minhas ações, mas não sou capaz de determinar o que acontecerá a cada momento dela, posso seguir meus pensamentos, registrá-los diariamente aqui, mas só o tempo dirá se meus esforços deram o resultado que eu esperava, meu computador será incapaz disso.

Ou seja, utilize a tecnologia para auxiliá-lo em suas metas, caso seja necessário, mas não pensem que apesar de ter uma influência tão grande no seu dia a dia, será ela quem dará as respostas a todas as suas aflições e trará os resultados que espera caso fique somente sentado a frente de suas máquinas e não a utilizem da maneira correta e imponham os seus sentimentos para decidirem sobre o que desejam.

Eu sou o dono dos meus sonhos.

 
Eduardo Caminada Junior


O que é uma palavra? (15/12/06)

Podemos até ter vontade de fazer qualquer coisa, mas se não temos estímulo para isso acaba se tornando algo vazio e sem sentido.

Sempre nos apoiamos em exemplos de outras pessoas, em palavras de apoio, retornos de todas as formas que façam com que tudo o que desejamos acabe se tornando realidade.

Ainda ontem quando conversava, via e-mail, com uma amiga de muitos anos e que acabei perdendo o contato com o tempo, acabei comentando a respeito do blog e hoje ao abrir meus e-mails li palavras que me deixaram feliz por fazer o trabalho que faço aqui e que me encoraja a continuar lutando para que quem sabe o “Viva com epilepsia” possa ser muito maior do que é hoje e possa ajudar muito mais do que ajuda àqueles que buscam informações a respeito do assunto que tratamos.

O estímulo é sem dúvida as pernas dos nossos sonhos e quanto mais você receber e, portanto maiores eles forem, maior também será a chance de alcançar os seus objetivos. Na maioria das vezes sabemos aonde devemos buscar os estímulos que ajudam a nos guiar, mas pode ter certeza que aqueles que são inusitados e nem um pouco esperados têm uma força muito maior.

Eu acredito que a palavra é o maior meio de transmissão de sentimentos possíveis, nada tem uma força tão grande e é justamente por isso que devemos pensar muito bem quando a usamos, pois podemos estar ajudando alguém a conquistar seus sonhos, como também podemos destruí-los.

Muitos associam ajuda a questão financeira, mas pode ter certeza que uma pessoa pode estar em uma situação muito difícil, mas se você a levar palavras de conforto e apóia-la na busca de dias melhores pode ser o suficiente para uma mudança que traga benefícios não esperados.

Sei que muitas pessoas têm nas palavras que escrevo uma fonte de informação e de ajuda, portanto digo que o que podem esperar é que eu sempre serei sincero e estarei aqui enquanto for permitido tentando trazer a todos a experiência de alguém que passa por uma situação difícil, mas aprendeu a lidar com ela e ser feliz.

Agradeço pelo poder da minha palavra, mas me guio pelo poder das suas.


Eduardo Caminada Junior


Uma data? (13/12/06)

O que fazer quando as oportunidades são poucas e a visão do futuro é obscura e incerta?

Difícil responder, mas creio que temos que nos agarrar com unhas e dentes nas poucas oportunidades que temos para que delas possam surgir outras e daí quem sabe uma esperança de dias melhores.

Sempre que chegamos a essa época do ano criamos uma expectativa muito grande quanto à virada de um ano para o outro e o que isso pode trazer de mudanças positivas em nossas vidas. As pessoas no mês de dezembro ficam esperando muito por essas datas, mas se pensarmos que no Brasil o ano só começa depois do carnaval a data esperada demora ainda dois meses para tomar corpo e entendermos o que de verdade acontecerá com nossos futuros no ano que vem a seguir, isso se mudar algo, mesmo porque vejo essas datas mais como uma "festa" do que uma "virada em nossas vidas. Pode ser até que algo aconteça, mas não é regra.

Queremos sempre algo melhor, portanto o que nos resta é continuar acreditando durante todos os dias do ano que as mudanças podem ser possíveisa cada um deles e não creditar a apenas um a responsabilidade de que algo possa ser diferente no dia seguinte, mesmo até porque as mudanças cabem muito mais a cada um de nós do que ao tempo.

Falando assim parece que eu não tenho sonhos nem superstições, muito pelo contrário eu tenho e até por uma questão cultural não poderia ser diferente, mas os meus pés estão muito mais próximos do chão do que do céu e sou muito realista e acredito nos meus sonhos, mas vivo a minha realidade, não os vivo antes de se realizarem. Faço sim um esforço muito grande para que os alcance e para isso é necessário agir dessa forma para que possa conhecer meus limites e saber até onde posso chegar.

Quanto ao seu futuro deixe que o próprio tempo lhe dê a resposta, mas não espere sentado caso queira que o dia de amanhã seja melhor do que o de hoje.


Eduardo Caminada Junior


A unanimidade não é exata (11/12/06)

Por muitas vezes achamos que pelo que somos as atitudes e sentimentos das pessoas em relação a nós serão sempre as mesmas, mas com certeza estamos errados em pensar dessa forma.

Não existe unanimidade quando falamos de sentimento, podemos agradar a muitos, mas pode ter certeza que a alguns poucos não estaremos agradando, apenas sentimos muito e nos incomodamos com esse tipo de atitude quando essas são pessoas que participam intensamente de nossas vidas e nos conhecem tão bem quanto às outras, mesmo assim creio que independente de gostarmos ou não uns dos outros temos que respeitar as diferenças que existem entre cada ser humano e tentar levar a vida da melhor maneira possível e procurando estar ao lado daqueles que possam lhe trazer algo de bom e de positivo para que possamos continuar a trilhar nossos caminhos sem que pequenas atitudes venham a atrapalhar ou recuar tudo que construímos no dia a dia de nossas vidas.

Relevamos e pensamos duas vezes, pois algumas dessas pessoas que atrapalham o nosso caminhar são pessoas que pela proximidade podem se achar influentes ou tão donas de si e do mundo que se acham no direito de comandar e trazer tudo para as suas mãos, e ninguém tem o direito sobre a vida de ninguém, principalmente quando somos adultos e sabemos o que é o melhor para cada um.

Aprendi com o tempo que se vivermos querendo agradar aos outros não estaremos na maioria das vezes agradando a nós mesmos e com isso não seremos felizes. Cada um tem dentro de si o caminho que deve traçar para encontrar o melhor e não deixe que alguém interfira nem pense que todos possam gostar de você como você é e não precisa mudar por causa disso, pois jamais você será unânime. Mude quando achar necessário ou quando perceber que a mudança possa lhe ajudar na luta pela sua vida.


Eduardo Caminada Junior


Ensinar é ajudar (07/12/06)

"Você não pode ensinar nada a um homem, você pode apenas ajudá-lo a encontrar a resposta dentro dele mesmo."

Galileu Galilei


Escrever diariamente faz com que eu possa tentar buscar dentro de mim as respostas para que encontre o melhor caminho a seguir, ou seja, das portas que a mim se apresentam qual devo abrir e seguir em frente e creio que como explanado na frase acima eu possa ajuda-los a encontrar dentro de cada um as respostas para cada que possam refletir e alcançar seus objetivos.

Tenho dentro de mim as minhas verdades e sei muito bem quando tomo uma atitude, seja ela qual for, o quanto ela pode representar para mim e para quem está envolvido também. Sei que com cada um de vocês isso não é diferente.

Vivo há tanto tempo com o diagnóstico de portador de epilepsia de difícil controle e mesmo que muito bem orientado e conhecendo meus limites posso ouvir de qualquer um qual é o caminho a seguir para que encontre uma solução ao meu problema, mas se meu coração, guiado pela minha mente e minha experiência de vida não dizem o mesmo eu procuro abrir outras portas, como falei anteriormente, e entendo que somente dessa forma estarei primeiramente me sentindo confortável pelo fato de buscar o melhor e segundo procurando encontrar novos horizontes e dando valor ao que acredito ser positivo e desprezando o que não vem a construir nada nessa minha batalha. 


Eduardo Caminada Junior


É preciso (06/12/06)

É preciso refletir e ponderar, saber se vale a pena e investir em tudo que possa nos trazer algo de positivo.

É preciso saber em que chão estamos pisando para sentirmos seguros e podermos decidir de forma consciente.

É preciso saber, no sentido literal da palavra, para que não sejamos enganados ou traídos pelas conseqüências do tempo.

É preciso lutar para não nos arrependermos no futuro por não termos feito nada para que algo fosse melhor no presente.

É preciso ser realista e mesmo acreditando nos seus sonhos ter consciência de que eles realmente possam ser possíveis.

É preciso acreditar e saber que todos podem alcançar o que desejam desde que façam por merecer.

É preciso viver intensamente todo e qualquer momento e tirar de cada um deles a grande lição de sua vida.

De qualquer forma é preciso estar.


Eduardo Caminada Junior

Esperança de um novo dia (27/11/06)

Novos dias, novos tempos, novos momentos e esperança renovada. Essas são algumas das coisas que esperamos quando terminamos um ciclo e iniciamos um novo em busca de algo melhor. Penso assim todos os dias, eu acredito que a cada dia se inicia um novo ciclo em minha vida e espero sempre que hoje possa ser melhor que ontem e amanhã ser melhor do que hoje, para isso procuro reparar meus erros e buscar ser o mais correto possível em minhas atitudes para que não prejudique a ninguém, mas que principalmente não seja prejudicado.

Viver a cada dia buscando algo novo e não se acomodando com nossa rotina é uma característica que está presente na vida daqueles que vencem e alcançam seus objetivos. É claro que somente isso não basta, precisamos também de oportunidade que é conquistada com esforço e perseverança e um pouco de sorte que ai vem de algum lugar que não podemos definir.

Os objetivos a serem alcançados e a esperança de que um dia eles farão parte de nossa realidade representam o “combustível” que move a nossa vida e devemos acreditar que sempre eles estão próximos de serem realizados, jamais distantes, principalmente se fazemos por merece-los.

Poder acreditar que em algum momento qualquer eu vou ler ou ver em algum lugar ou até mesmo vou receber uma notícia de que o meu tratamento terá um resultado mais eficaz e eu poderei viver de forma mais tranqüila representa a esperança de um novo dia e quem sabe se não for hoje poderá ser amanhã e se não for amanhã poderá ser depois de amanhã e se não for depois de amanhã...

Mas tenho convicção que um dia será, caso não seja estarei com a minha consciência tranqüila por ter lutado.


Eduardo Caminada Junior


O que é mais difícil controlar (24/11/06)

Quando se tem epilepsia de difícil controle, como eu tenho, pensamos no porque desta definição e eu cheguei à conclusão que o difícil controle não restringisse somente as crises, mas também ao portador. É muito difícil ter um controle emocional e ser “equilibrado” quando passamos por situações tão complicadas quase que 365 dias por ano.

Por três noites eu tenho dormido muito mal, com menção honrosa as duas primeiras noites, já que esta ultima foi um pouco melhor, mesmo assim ainda tive algumas crises e não consegui relaxar e dormir tranquilamente. Consequentemente meus dias são péssimos, fico muito cansado e sinto como se estivesse carregando em minhas costas um fardo muito maior do que o meu corpo poderia suportar.

Em dias como esses eu fico muito agitado durante o dia todo e sinto como se poderia ter uma crise a qualquer momento e por muitas vezes tenho. Não quero me sentir cansado e nem penso sequer em me deitar para descansar um pouco, pois sei que se fizer isso as crises acontecerão e então quando é à noite reluto para me deitar e tento fazer de tudo para ficar acordado, mesmo assim, por influencia dos remédios, o fechar dos olhos é inevitável e com ele as crises também.

De qualquer forma mesmo acordando nervoso com a situação sei que se quero melhorar só conseguirei isso se estiver bem com minhas emoções então procuro abrir minha janela e olhar para o mundo como mero espectador e ver que eu, apesar de tudo, tenho motivos para sorrir. É claro que gostaria que muitas coisas fossem diferentes em minha vida, mesmo assim sei que a depressão e a tristeza não me levarão a nada.

Penso o dia todo que preciso mudar e, portanto no que devo fazer para que isso aconteça e quando percebo que não consigo resolver sozinho eu solicito a palavra das pessoas que me amam e sei que podem ser até duras em alguns momentos, mas são sempre verdadeiras e as assimilo de forma construtiva para poder viver um dia a vida que sempre sonhei para mim.


Eduardo Caminada Junior

Seja honesto (23/11/06)

A honestidade é uma das maiores qualidades que uma pessoa pode ter. Todos aqueles que são honestos são pessoas que têm compromisso com a verdade e, portanto com a razão e a forma correta de viver.

Para que mentir e se enganar dizendo e pensando algo que não condiz com a realidade que você vive, a melhor coisa é sermos realista, pois somente assim saberemos onde estão os nossos limites e pensem que uma pessoa só pode te ajudar se por acaso você for verdadeiro com ela.

De que adianta eu dizer aqui que não me incomodo pelo fato de ter epilepsia se essa é uma condição que me incomoda extremamente? Digo sim que luto por uma qualidade de vida melhor, mas não deixo de expor meus sentimentos e que apesar de todas as dificuldades que enfrento sou capaz de encontrar a minha felicidade, inclusive escrevendo a respeito, pois sei que posso estar ajudando a alguém.

Se você é um portador de epilepsia seja honesto com absolutamente tudo em seu tratamento, diga exatamente o que sente e o que passa ao seu médico e não minta caso deixou de tomar uma dose do seu remédio ou fazer algo que deveria ter feito e lembre que se por acaso você agir dessa forma todos podem acreditar no que você diz, mas a sua consciência se encarregará de dizer a você que isso não é honesto e quando estiver mal você lembrará que tudo que esta passando é conseqüência das suas mentiras e falta de responsabilidade.

Acredite mentir pode ser até mais fácil do que mostrar e admitir a verdade, mesmo assim qualquer um é capaz de saber que a mentira não leva a absolutamente nada, principalmente se você deseja estar em paz consigo mesmo.


Eduardo Caminada Junior

Quando o assunto é trabalho (31/10/06)

As oportunidades de trabalho são difíceis para todos que desejam ingressar no mercado, mas no meu caso especificamente parece ser muito complicado e sempre que consigo algo, depois de algum tempo sofro com o preconceito e acabo perdendo oportunidades de dar seqüência a minha carreira.

Foi exatamente por isso que escolhi a alternativa de poder trabalhar em casa, que gera uma grande insegurança e preocupação com o futuro, o que não é diferente para todas as pessoas que realizam esse tipo de trabalho, mas que atualmente é o que se apresenta e como tenho necessidade de trabalhar é dessa forma que eu faço.

Essa necessidade além de financeira, pois tenho uma família com esposa e filha que precisam muito de mim, é também pessoal e quando estou trabalhando fico mais tranqüilo pela segurança que isso representa e até as minhas crises têm menor incidência.

Outra coisa que me incomoda muito é o relacionamento que temos entre as pessoas quando trabalhamos em uma empresa e o “nenhum” relacionamento quando trabalhamos em casa, de qualquer forma o que importa é estar trabalhando e não de que forma. Ser produtivo e representar algo dentro de um contexto social e familiar e é de extrema importância para que possamos nos sentir bem e acreditar que estamos fazendo algo para o nosso bem e daqueles que precisam da gente.

Jamais pensei em deixar de trabalhar e acho que isso não vai acontecer tão cedo e mesmo se for preciso grandes mudanças para que novas oportunidades venham a aparecer eu sempre estou disposto a tudo desde que seja para o meu bem.


Eduardo Caminada Junior

Termômetro musical (26/10/06)

Desde criança, por algumas influências sofridas no decorrer do tempo, de pessoas e pelo meu próprio interesse eu sou um apaixonado por música. Sou capaz de escutar um som hardcore pesado e depois me encantar com a leveza e a poesia embutida em notas de uma música clássica. Tenho algumas restrições é claro, mas gosto não se discute.

Sinto falta o dia que passo sem ouvir música, parece que o fato de gostar tanto se tornou um “vício”, é como se precisasse das notas musicais para controlar e identificar os momentos que passo.

Percebo a música como um termômetro que identifica a minha situação naquele momento em que estou ouvindo. Em alguns dias tenho necessidade de ouvir uma música pesada que eu possa cantar junto e extravasar, em outros quero apenas ouvir e pensar um pouco em tudo que é dito, em alguns quero usufruir da beleza de uma linda voz encaixada em uma bela música como também tenho momentos em que eu quero ouvir músicas alegres que possam ser escutadas e divididas com outras pessoas e que expresse um momento de felicidade.

De tudo isso o que mais importa, no meu caso, é que a música, de qualquer forma vai representar uma situação de conforto e trazer algo de bom pra mim. Escuto música como se estivesse fazendo uma terapia e procuro nela um alento.

Tenho uma família significante, presente e estou sempre junto de todos, mas passo a maior parte do dia sozinho e precisei durante esse tempo encontrar algo que me desse prazer mesmo quando fico sem falar com absolutamente ninguém e dividir meus sentimentos de aflição e angústia, foi então que percebi a importância da necessidade de extravasar e raciocinar com algo que poderia e acima de tudo deveria ser positivo.

Cada um sabe aonde encontrar o seu termômetro e como fazer para que ele lhe demonstre qual a sua situação e o que deve ser feito para melhorar um momento difícil que você possa estar vivendo. Ouvir música não resolve os meus problemas, mas me ajuda e muito a colocar a cabeça no lugar.


Eduardo Caminada Junior

Eplepsia X Religião (25/10/06)

Até hoje algumas religiões classificam a epilepsia como uma doença da alma e desprezam os conceitos e estudos científicos a respeito. É claro que já tivemos certa “evolução” na forma das religiões enxergarem os seus conceitos sobre epilepsia e hoje ninguém mais é considerado louco ou que esteja possuído pelo demônio pelo simples fato de ter epilepsia.

É claro que alguns ainda enxergam as coisas dessa forma, mas a esses nos resta apenas a tristeza de perceber que ainda existem pessoas mal informadas em uma época aonde temos tanto acesso a todo e qualquer tipo de informação e que quando aproveitado podemos fazer com que esse acesso seja benéfico e nos traga resultados muito positivos em nosso conhecimento e crescimento pessoal.

Ainda quando pequeno e em uma época com poucos recursos médicos aonde o exame mais complexo que existia era o eletro encéfalo grama que poucos resultados tinha a mostrar, com a orientação de algumas pessoas, junto de minha mãe eu cheguei até a freqüentar algumas religiões e pensar que minhas crises poderiam sim ter um fundo espiritual já que nenhum médico conseguia explicar o porque das minhas crises e onde estava o foco da doença.

De qualquer forma apesar de pensar na possibilidade nunca cheguei a acreditar que ela poderia ser verdadeira, sempre achei que em algum momento poderia existir um método científico que explicaria o porquê das crises existirem e foi o que aconteceu com o surgimento e evolução da ressonância magnética.

Hoje sou uma pessoa que acredita em muitas coisas, tenho fé, mas não freqüento nem me identifico com religião alguma. Tenho meus próprios conceitos e não desprezo àqueles que têm suas religiões ou mesmo aos céticos, pelo contrário respeito a todos e a forma que cada um tem em enxergar a vida e suas origens.

Espero que entendam esse texto não como uma crítica, mas sim como um relato de experiências vividas e tudo o que “aprendi” com elas. O que pode representar o certo na minha vida aos olhos de outras pessoas pode ser que não seja o mais correto possível, mas é para isso que temos liberdade para pensarmos e agirmos da maneira a qual achamos que seja a melhor e que possa nos trazer algo de bom. Respeitem a todos que também serão respeitados.


Eduardo Caminada Junior


Epilepsia e bebidas alcoólicas (20/10/06)

Sempre que sofro qualquer tipo de privação sinto-me mal, quando escutei pela primeira vez que não poderia comer algo, na época que realizei uma dieta como proposta de tratamento (dieta cetogênica) ainda quando criança, eu sofri com aquilo e lembro como se fosse hoje e foi desde essa época que, por necessidade, tive que entender que nem sempre podemos fazer tudo o que sempre queremos e depois se essa privação poderia trazer algo de bom eu tinha que aceitar.

Já quando adolescente quando ia a festas com amigos sempre senti vontade de experimentar bebidas alcoólicas, mas como sempre fui muito bem orientado eu nunca bebi nada já que sabia que se fizesse isso eu estaria me prejudicando e estaria estimulando as crises a acontecerem, pois bebidas alcoólicas são desencadeantes de crises epilépticas.

Cheguei a cogitar, em algum momento, parar de tomar a medicação para poder fazer uso da bebida, mas orientado pelo médico fiquei sabendo que se fizesse isso eu estaria diminuindo a dosagem do remédio no sangue o que também facilitaria a ocorrência das crises. Dessa forma a possibilidade de se ter uma crise é muito grande.

Todas essas brigas contra as privações acabaram quando eu percebi que sou feliz e posso continuar sendo mesmo se não beber absolutamente nenhuma bebida alcoólica e isso não é algo que deve servir como exemplo somente para os portadores de epilepsia.

Quando queremos ficar bem de verdade devemos fazer de tudo para que isso aconteça, nem que para isso seja necessário se privar de algo e se levarmos esse assunto muito a sério entenderemos que bebidas alcoólicas não traz benefício a absolutamente ninguém.

Eduardo Caminada Junior

Traumatizado pela epilepsia? (17/10/06)

Temos que ter muito cuidado para saber lidar com a epilepsia quando ela aparece na infância. O estigma causado nessa época pode influenciar por todo o resto da vida do ser humano.

Sei que é complicado, pois o meu diagnóstico foi identificado com três anos de idade então passei toda a minha infância e adolescência já convivendo com a epilepsia e com as conseqüências sociais que ela poderia me trazer, apesar disso acredito que não sou uma pessoa traumatizada porque mesmo com todos os preconceitos sofridos sempre tive dentro de casa uma referência de pessoas esclarecidas e que procuraram, dentro do possível, em uma época muito diferente da de hoje, me mostrar que eu era igual a todos que ali estavam e não era o fato de ser portador de epilepsia que iria me fazer melhor ou pior do que qualquer um.

Em alguns momentos cheguei a perceber, por parte da minha família, uma atenção um pouco maior, mas sempre com muita delicadeza de forma que não prejudicasse o bom relacionamento entre todos e isso fez que com o tempo eu mesmo percebesse a minha importância independente de ser portador de epilepsia ou não e ao invés de criar traumas eu criei forças para lutar e buscar soluções para o meu problema. Nunca fiz nada para ser melhor do que ninguém nem nunca me comparei com ninguém, apenas procurei ser eu mesmo e isso já me faz pensar que sou uma pessoa esclarecida, de boa índole e que teve uma boa referência educacional.

Portanto se você é mãe ou pai de um portador de epilepsia ajude-o a enfrentar todas as dificuldades que ele pode passar na vida e não o trate de forma diferente, como se ele fosse uma pessoa impossibilitada de realizar seus sonhos e lutar por eles.


Eduardo Caminada Junior

Sina? (16/10/06)

Você encara o fato de ser portador de epilepsia ou conviver de alguma forma com a doença uma sina?

Eu já pensei muito sobre tudo isso, inclusive procurei a resposta em alguns meios religiosos e até mesmo científicos, mas no meu caso eu acredito que mesmo se formos escolhidos para passar por determinadas situações é porque temos condições de enfrentá-las, senão isso não aconteceria e depois se você procura o bem você o terá, assim como a opção contrária também é verdadeira.

Não sei o porquê que nasci com uma lesão congênita que proporciona a doença que tenho há mais de 32 anos, assim como não consigo entender tantas outras coisas que acontecem comigo como com outras pessoas, mas sei que somos capazes de passar e receber uma energia muito forte sempre que acreditamos e temos fé em algo e é exatamente essa energia que faz com que eu viva e busque o melhor para tudo e todos e sei que assim meus dias poderão ser sempre melhores e quem sabe até em qualquer momento eu possa estar curado, ou até mesmo vivendo tranquilamente com a epilepsia sem que ela interfira na minha qualidade de vida.

Perdemos muito tempo querendo justificar o que aconteceu no passado como se fosse uma forma de esclarecer um mau momento do presente, mas deveríamos fazer diferente e buscar sempre um futuro melhor sem que tenhamos que justificar o fato de não lutarmos pela vida em busca de sonhos possíveis.

Eduardo Caminada Junior


Epilepsia Politizada (06/10/06)

Atualmente, em momento de auto furor político, onde os ânimos se acirram em busca de um lugar nas administrações estaduais e nacional, vale tudo no processo de busca dos votos e estamos muito acostumados a criticar a atitude dos outros, principalmente quando acreditamos ter convicção de um candidato.

O intuito do blog não é falar de política, mas apenas queria trazer a realidade para a sua vida e percebam que em tudo somos assim, mas poucas vezes fazemos algo para que a situação mude além de achar que estamos votando na pessoa certa cumprindo o nosso dever de cidadão. Será que não é necessário fazer muito mais.

É muito ruim esperar que as coisas cheguem até você e que tudo acontecerá naturalmente sem que seja necessário o mínimo esforço. De um tempo para cá, desde quando procurei me envolver de verdade com o assunto epilepsia, procurei entender primeiro a realidade do assunto e depois procurei algumas associações e entidades das quais poderia tirar bons proveitos de conhecimento, foi a partir daí que eu tomei coragem e resolvi escrever e falar sobre o assunto, pois acreditei que a experiência de vida e o conhecimento que tinha era suficiente para isso.

Participe sempre, seja um cidadão politizado e interessado nos assuntos que fazem parte da sua vida e sempre que achar que algo deve mudar lute por isso. Não deixe apenas que os outros façam por você. Na verdade somos todos iguais, o que nos diferencia é a inteligência adquirida através do conhecimento que absorvemos em toda a vida e como aplicamos isso para nosso benefício ou benefício do próximo.

Eduardo Caminada Junior


Qual o tamanho de seu problema? (05/10/06)

Toda a vez que você se desesperar e achar que os seus problemas são os maiores possíveis, pode ter certeza que você está enganado, sempre há alguém com problemas muitos maiores do que o seu e por muitas vezes sem solução.

Quantas vezes eu não penso no porque de passar tudo o que passo, pois ser portador de epilepsia de difícil controle é uma provação de vida. De qualquer forma ainda vejo um porque de continuar lutando e acredito a todo o momento que um dia ficarei bom. Pode até ser que isso não aconteça, mas é essa “fé” que faz com que a minha vida tenha sentido e junto com a motivação natural recebida da família e das pessoas especiais que fazem parte de minha vida deixam eu acreditar que existe sim uma luz e que enquanto ela existir eu devo fazer de tudo para alcançar meus objetivos.

Imagine só a quantidade de pessoas que trocariam os seus problemas pelos nossos, às vezes achamos que nada é pior do que estamos passando e acabando dando características e aparência muito maior aos problemas que temos, devemos pensar que muitas pessoas têm problemas sem solução e que se passamos por algumas situações é porque temos condições para isso.

Ao invés de apenas pedir ajuda, que eu sei é muito necessária a vida toda, pense também em ajudar as pessoas e faça isso com o maior carinho possível acreditando que sempre que fizermos pelos outros receberemos, naturalmente, tanto quanto ou mais em troca.

Eduardo Caminada Junior

Você e o Mundo (03/10/06)

Eis mais um 30 de setembro, mais um ano se passou, somando todos foram 35. Datas especiais, outras nem tanto, mas todas representaram o meu crescimento como ser humano.

Aprendi muito por todo esse tempo e tenho consciência que ainda tenho muito para aprender, muitos sonhos para realizar e pessoas novas a conhecer. Não me arrependo de nada que tenha feito até hoje, nem dos momentos em que fui capaz de admitir meus erros eu me arrependi, pois deles tirei grandes lições que puderam formar a minha personalidade e o que sou hoje.

Tive uma ótima educação, alguns bons amigos, pessoas boas que sempre estiveram ao meu lado, outras nem tanto, uma família representada por uma mulher forte e decidida que fez de seus objetivos o futuro de seus três filhos e um pai que me mostrou nos seus erros a lição que queria me passar na sua vida.

Hoje tenho a minha família e luto para que a cada dia eu possa me sentir bem sempre que pensar em tudo o que faço para que possamos ser felizes e que todos os objetivos que nos propomos a alcançar juntos sejam buscados, sempre respeitando a tudo e a todos, e sabendo que objetivos não são limites, mas sim metas que devem seguir sempre a diante e que o tempo seja capaz de nos mostrar que ainda existe muito a se fazer.

Até aqui se passaram 35 anos, alguns mais felizes que os outros, mas nenhum deles menos importante. Sou feliz com o que tenho e com o que mereci ter até hoje. Este é mais um dia feliz em que procurarei estar ao lado das pessoas que me amam e queiram participar da minha felicidade me trazendo muita energia positiva para que possa continuar vivendo por muitos anos ainda. Àquelas pessoas que já participaram da minha vida e que hoje não estão mais presentes devo o amor, o respeito e o sentimento de saudade eterno.

Obrigado a todos por existirem e saibam que, sem exceção, fazem parte do meu dia a dia, conhecendo-os ou não e hoje, por mais uma vez, me sinto feliz por estar dividindo esse momento com pessoas as quais tanto respeito. 

Eduardo Caminada Junior


30 de Setembro (30/09/06)

Eis mais um 30 de setembro, mais um ano se passou, somando todos foram 35. Datas especiais, outras nem tanto, mas todas representaram o meu crescimento como ser humano.

Aprendi muito por todo esse tempo e tenho consciência que ainda tenho muito para aprender, muitos sonhos para realizar e pessoas novas a conhecer. Não me arrependo de nada que tenha feito até hoje, nem dos momentos em que fui capaz de admitir meus erros eu me arrependi, pois deles tirei grandes lições que puderam formar a minha personalidade e o que sou hoje.

Tive uma ótima educação, alguns bons amigos, pessoas boas que sempre estiveram ao meu lado, outras nem tanto, uma família representada por uma mulher forte e decidida que fez de seus objetivos o futuro de seus três filhos e um pai que me mostrou nos seus erros a lição que queria me passar na sua vida.

Hoje tenho a minha família e luto para que a cada dia eu possa me sentir bem sempre que pensar em tudo o que faço para que possamos ser felizes e que todos os objetivos que nos propomos a alcançar juntos sejam buscados, sempre respeitando a tudo e a todos, e sabendo que objetivos não são limites, mas sim metas que devem seguir sempre a diante e que o tempo seja capaz de nos mostrar que ainda existe muito a se fazer.

Até aqui se passaram 35 anos, alguns mais felizes que os outros, mas nenhum deles menos importante. Sou feliz com o que tenho e com o que mereci ter até hoje. Este é mais um dia feliz em que procurarei estar ao lado das pessoas que me amam e queiram participar da minha felicidade me trazendo muita energia positiva para que possa continuar vivendo por muitos anos ainda. Àquelas pessoas que já participaram da minha vida e que hoje não estão mais presentes devo o amor, o respeito e o sentimento de saudade eterno.

Obrigado a todos por existirem e saibam que, sem exceção, fazem parte do meu dia a dia, conhecendo-os ou não e hoje, por mais uma vez, me sinto feliz por estar dividindo esse momento com pessoas as quais tanto respeito. 

Eduardo Caminada Junior


Passado e Presente (13/09/06)

Desde os primeiros documentos que registram possíveis portadores de epilepsia encontramos um enorme preconceito quanto à doença, sendo que aqueles que a portavam eram considerados possuídos pelo demônio, loucos ou outras tantas coisas.

Isso sempre fez com que aqueles que fossem portadores de epilepsia se escondessem ao máximo para não serem taxados socialmente.
Atualmente, muitas coisas mudaram, passamos por uma evolução muito grande, mas os portadores de epilepsia continuam tendo vergonha de sua situação e se escondendo.

Hoje no Brasil existem 2,5 milhões de portadores de epilepsia, quantos deles você conhece?

Com a evolução da informática e o acesso ao conhecimento através da Internet, o contato se tornou mais próximo, mesmo assim ainda temos uma distancia muito grande da forma que devemos agir realmente, somos iguais a todos os outros, cada um com seus problemas e limitações, mas iguais, e não há nada com que faça que assim não seja.

De que adianta se esconder, devemos sim assumir a nossa condição e lutarmos pela nossa causa fazendo com que tenhamos prazer em buscar uma forma melhor de vida, e como eu digo sempre o preconceito é uma coisa que vem de dentro, depende muito de como você se mostra para a sociedade à forma como ela irá tratá-lo.

Será que tudo isso ainda é resquício do que acontecia no passado? 
 

Eduardo Caminada Junior


Coisas de Mãe (12/09/06)

Lendo aos comentários dos textos que aqui edito eu sempre percebo o grande interesse das mães e parentes próximos em tentar buscar soluções para os problemas que afetam os seus familiares.

Nos casos de crianças acho isso muito comum, mas nos de adolescentes e adultos eu acredito que além das mães, principalmente, eles próprios já têm autonomia e conhecimento para estudar o que têm e buscar a solução para o seu problema junto com um acompanhamento médico adequado.

Desde os 3 anos de idade quando eu tive a minha primeira crise sempre tive ao meu lado a presença constante e importante da minha Mãe, acho isso fundamental, e acredito que foi ela quem me mostrou a importância de levar o meu tratamento tão a sério. É claro que por muitas vezes passei por algumas situações que não gostaria de ter passado, mas que foram necessárias, como alguns exames e internações entre outras coisas nada agradáveis e que com certeza "doeram" nela o tanto quanto em mim, mas ela sabia que estava sempre tentando o melhor e em uma época com poucos recursos em que os médicos tinham o "domínio pleno" do conhecimento e que pouco sabíamos de tudo o que acontecia conosco.

Teve uma fase em que me revoltei contra tudo e todos, mesmo assim acreditava muito no que minha Mãe me dizia e isso foi crescendo a cada dia até que eu criasse uma consciência própria do que eu tinha na verdade e o que aquilo representaria na minha vida.

Minha Mãe foi a pessoa mais importante em toda a minha vida, digo foi pois a 13 anos atrás ela nos deixou e hoje acredito que me ajuda de uma outra forma, estando ao meu lado de maneira diferente e guiando o meu caminho para que eu possa tomar as decisões certas e quem sabe um dia poder escrever para todos vocês que eu estou livre das minhas crises, caso isso não aconteça ela me preparou o suficiente para entender que devo lutar e não abaixar a cabeça quando o caminho que passamos não é tão tranquilo quanto o que gostaríamos que fosse.

Entendam a importância das suas mães e de seus filhos em suas vidas e façam tudo que for possível por eles. Um dia mesmo que distante você perceberá o quanto cada momento e palavra pode ter sido importante e ter vivido intensamente representará o conforto de uma saudade.

Eduardo Caminada Junior


Ser feliz é uma escolha (07/09/06)

Durante toda a nossa vida nós estamos de frente a várias oportunidades de escolha e uma delas é ser feliz. Tudo tem dois caminhos, tenha certeza que em um deles está a sua felicidade, só que nem sempre você consegue ver isso.

Olhar o mundo de maneira positiva pode ser difícil para alguns que acreditam que a felicidade está sempre nas coisas mais distantes e difíceis de serem alcançadas.

Cada um encontra a sua própria felicidade em coisas que podem parecer insignificantes, mas que não vivemos sem elas, eu sou feliz por poder trabalhar, por ter amigos sinceros, ter uma família linda, por tantas coisas mais, mas principalmente encontro a minha felicidade no sorriso da minha filha, que é uma demonstração clara de amor e carinho impossível de ser comprada. Aliás, felicidade não se compra, mas se conquista e só vamos conquistá-la o dia em que formos capazes de fazermos os outros felizes também.
Tem tantas coisas que podemos fazer para que os outros sejam felizes, um simples agrado, uma forma educada de tratar ou até mesmo um obrigado, pode ter certeza que sendo assim os outros também agirão da mesma forma com você e os seus caminhos serão muito mais fáceis, pois você estará sempre ao lado de pessoas capazes de lhe fazer feliz e saberá escolher aonde estarão as oportunidades que possam lhe trazer prazer em viver. 

Eduardo Caminada Junior

Eu e a Matemática (06/09/06)

Desde 1993 quando decidi prestar vestibular em Matemática muitas coisas ligadas à ciência e a epilepsia vêm se relacionando e cada vez mais percebo que devo ser uma pessoa devidamente escolhida a dedo como exemplo para muitas outras.

Depois já de algum tempo formado e fazendo exames investigativos para quem sabe realizar uma cirurgia, descobri definitivamente que a lesão que tenho no cérebro, está localizada na posição lobo parietal esquerda, mais especificamente sobre a área de cálculo, o que, geralmente, poderia ocasionar uma doença chamada “acalculia”, ou seja, todas as pessoas que têm essa lesão estão propensas a não realizar nenhum tipo de cálculo. Isso tornaria provável que pelo fato da minha lesão ser congênita, durante todo o meu desenvolvimento eu poderia ter transferido a minha área de cálculo para uma outra posição do cérebro que não aquela lesionada que é algo comum de acontecer nesses casos.

Eis que fiz algumas ressonâncias funcionais para saber onde estava posicionada a minha área de cálculo, foi quando por uma surpresa ainda maior o exame acusou que a própria área lesionada, apesar de ter uma lesão grande, era a própria área utilizada, além de pequenos pontos em outros lugares do cérebro.

Até hoje eu não entendo como isso pode acontecer, mas quem sou eu para entender, nem os próprios médicos entendem e quem são eles para entender também?

Acredito que nada seja definitivo e que somos todos conseqüência de algo muito maior e que não sabemos quase nada, ainda, sobre o ser humano e tudo que é capaz de fazer.

O dia que chegarmos ao ponto de sermos muito mais “inteligentes”, e não entendam como seres inteligentes aqueles que são capazes de resolver coisas complicadas, mas sim aqueles que são capazes de entender o que realmente é o ser humano da maneira mais simples possível, e para isso creio que não sejam necessárias grandes máquinas, com grandes fórmulas e grandes conceitos, creio que estaremos muito próximo de entender coisas que jamais entendemos até hoje.

Enquanto isso vou levando minha vida com meu trabalho diário como estatístico, utilizando minha área lesionada, ou não, e admitindo que sou e sempre serei capaz de muito mais pois tenho uma coisa fundamental a qualquer pessoa, que é vontade de viver, e enquanto conseguir olhar para frente com objetivos a serem alcançados eu sempre estarei bem, com lesões ou não e independente de onde elas sejam ou o que possam afetar ao meu organismo, pois jamais afetará o meu bom humor e minha esperança. 

Eduardo Caminada Junior


Epilepsia X Direção (30/08/06)

Por incrível que pareça uma das coisas que mais gosto de fazer é dirigir e infelizmente existem períodos na minha vida em que fico completamente impossibilitado de fazer isso.

Já cheguei até em dias que não estava bem, por necessidade e falta de oportunidade, ter tomado a decisão de dirigir sendo irresponsável comigo e com a vida das outras pessoas, portanto agora eu só dirijo nos dias em que me sinto muito bem e creio que tenho capacidade de assumir tamanha responsabilidade. Apesar de ser uma coisa que goste de fazer, eu tenho que me preocupar com as conseqüências que uma atitude impensada pode levar.

Justamente pelo fato de ser portador de epilepsia de difícil controle e ter uma situação inconstante em relação à periodicidade das crises, como já falei outras vezes, eu nunca sei como vai ser o dia de amanhã, então apesar de sempre acreditar que estarei bem, quando marco algum compromisso preciso sempre ter uma segunda possibilidade de me deslocar até ele que não seja o de ir dirigindo.

É muito difícil e complicado ter que depender sempre de alguém para poder fazer alguma coisa, mas infelizmente, no meu caso, isso por muitas vezes se faz necessário.

De qualquer forma o mais importante é que eu tenha plena consciência dos meus atos e responsabilidade por eles, então preciso sempre pensar duas vezes antes de tomar uma atitude como a de dirigir.

Sei que muitos portadores de epilepsia não têm essa dificuldade que eu tenho pelo fato de ter segurança em relação às crises que são controladas, mas aqueles que são portadores de epilepsia de difícil controle pensem muito bem antes de fazer isso e ninguém mais do que vocês mesmos para saberem quando estão aptos ou não para dirigir.

Para as pessoas que não são portadoras de epilepsia o fato de me preocupar com isso parece algo fútil e de pouco valor, mas o que mais me incomoda é a questão de ser limitado para algumas coisas, e essa é uma delas. Prezo muito a minha liberdade em todos os sentidos. Gostaria muito que tudo fosse diferente, mas como não é eu vivo a minha vida com as possibilidades que tenho e tenho consciência que são muitas e dou muito valor a tudo.

As pessoas acomodadas são pessoas que jamais crescerão e buscarão novos caminhos, mas eu não sou assim, pelo contrário, eu quero sempre mais e enquanto puder lutar para mudar as coisas que me incomodam eu vou lutar sempre. 

Eduardo Caminada Junior


Não é todo o dia que o sol bate na sua janela (22/08/06)

Quando o sol bater na sua janela esteja pronto para recebê-lo, tenha sempre a sensação de que algo novo está por vir e lhe trazer boas oportunidades e, portanto, abrir novos caminhos.

Sinta como se estivesse tendo por mais uma vez a oportunidade de dar um primeiro beijo, algo novo, diferente e cheio de mistérios que apenas se desvendam com o tempo. Esteja sempre pronto para tudo, mas que seus sonhos possam se tornar realidade e que a cada dia as oportunidades apareçam sempre mais para você assim como aparecerão para mim, e que possamos aproveitar a cada instante tudo aquilo que verdadeiramente merecemos.

Deixe o sol entrar na sua vida trazendo toda a sua luz para iluminar os caminhos que você escolheu para seguir e que eles lhe tragam as respostas que você procurou em cada um deles e a sua luz brilhe sempre

Só não esqueça nunca que o sol tem uma luz própria, mas a sua é algo que precisa manter acesa por todo o sempre fazendo por merecer cada dia de sua vida e fazendo com que essa chama não se apague nunca e seu exemplo perpetue entre todos. Sua luz é você quem cria e ninguém melhor do que você mesmo para saber o quanto a merece ou não. 

Eduardo Caminada Junior


A importância de ter com quem... (15/08/06)

... dividir bons momentos é algo fundamental na vida de qualquer ser humano.

Neste último final de semana eu vivi um momento muito feliz na minha vida e isso só pode se dar por completo, pois ali também estavam pessoas que deveriam estar para completar a perfeição de um momento tão especial.

É claro que quando o ambiente está repleto de pessoas, nem todas que lá estão são aquelas mais importantes, mas o que existe na verdade é que devemos saber escolher e estar sempre ao lado das pessoas que nos fazem bem e mesmo se estivermos com pessoas não tão importantes elas acabam se apagando naturalmente.

Procuro viver assim sempre ao lado das pessoas que possam somar algo ao que eu possa ter. No meu caso gosto sempre de estar ao lado de pessoas inteligentes, respeitadoras e sinceras.

Momentos felizes e ao lado de pessoas que amamos e respeitamos são poucos, então devemos valorizá-los e guarda-los com muito carinho na memória sempre na expectativa de que novos momentos virão e entender que se pude ser tão feliz por um momento eu posso ser feliz sempre e que aquelas pessoas que lá estavam sentiram e podem sentir o mesmo.

Por muitas vezes nos exigimos demais e queremos sempre muito, mas a felicidade que buscamos não faz parte de tudo isso e nem é tão complexa, pelo contrário, ela é simples e está nas menores coisas que realmente fazem diferença, como uma demonstração de carinho, entre tantas outras.

Eduardo Caminada Junior


Coloque para fora tudo o que está sentindo (02/08/06)

Pelo menos no meu caso, por muitas vezes me sinto melhor se extravaso tudo o que estou sentindo.

Quanto mais fico “encucando” coisas e tentando achar soluções para tudo sozinho, mais fico mal e as crises têm uma incidência muito maior, portanto preciso, às vezes, de uma boa conversa com alguém que esteja disposto a me ouvir e dizer algo que possa ser positivo, praticar um esporte, um hobbie, brincar com minha filha ou fazer qualquer coisa que consiga extravasar tudo que está dentro de mim. Às vezes é necessário sair da rotina senão não dá.

Sei que todos têm problemas, uns maiores e outros menores, mas também sei que todos somos capazes de encontrar o melhor caminho para que encontre a solução deles. De repente vocês não se identificam com nada que faço e gostam de outra coisa, então façam e verão que quanto menos ficarem remoendo as coisas melhor será para cada um de vocês.

Vou lhes contar um episódio engraçado até, mas que me fez bem. Já há algum tempo atrás, quando ainda era adolescente, estava passando por um momento muito difícil com muitas crises e um dia a minha Mãe discutiu comigo a respeito do meu médico e me provocou muito, pois acreditava que eu deveria trocar de médico e eu não. Perdi meu controle e cada vez ela forçava mais a situação e eu gritava com ela dizendo que não e não. Pode parecer estranho, mas depois dessa discussão e de ter dito a ela tudo o que estava dentro de mim e estava guardando e remoendo tive uma melhora considerável e ela me disse que fez aquilo de propósito porque não agüentava mais me ver pra baixo e com aquela aparência triste e sabia que eu realmente tinha muita coisa a dizer e quem sabe se eu conseguisse colocar tudo para fora eu poderia me sentir melhor.

Desde esse dia, apesar de fazer parte da minha personalidade guardar e remoer tudo, sempre que percebo que aquilo está me atrapalhando tento extravasar de alguma forma. Não grito com mais ninguém, não sou agressivo, nem desconto o que sinto em ninguém, mas procuro sempre extravasar da minha forma e isso me faz muito bem.

Nunca duvidem do que uma Mãe é capaz de fazer por um filho.

Eduardo Caminada Junior


Epilepsia e vergonha (31/07/06)

Você já teve vergonha por ter tido uma crise em público ou em um momento desagradável que não esperava?

Provavelmente, assim como eu, sim. De qualquer forma, o mais importante é como você vê uma situação como essa e qual a importância que isso possa ter na sua vida.

Eu fico realmente chateado, ainda na quinta-feira passada eu passei por uma situação dessas. Mas o que fazer, me desesperar, ficar agressivo, não querer entender? Muito pelo contrário, tenho certeza de que muitas pessoas que não são portadores de epilepsia deveriam ter muito mais vergonha das suas atitudes do que eu de uma crise.

Se fosse me afundar a cada crise que me deixasse em uma situação constrangedora, tenho certeza que hoje eu nem estaria mais aqui escrevendo para vocês, procuro continuar e seguir em frente. É difícil tentar achar que nada aconteceu e fazer com que todas as outras pessoas pensem o mesmo, já que não é verdade, acho que temos que tentar entender que aquela situação pode ser desagradável mas que sempre poderíamos estar passando por uma situação pior.

Não tem jeito, ficamos irritados, mesmo assim temos que entender que a vida continua e se alguém te olha de forma diferente, achando que você é um coitado, ou um drogado, como já aconteceu comigo, ou até mesmo nem te olham e te tratam com indiferença, sequer lhe dando uma mão para que você possa se levantar do chão, pois pensam que pode ser contagioso, e isso pode parecer loucura, mas não é e acontece com freqüência, essas pessoas não merecem sequer a sua atenção, então na verdade o que mais importa são as pessoas a quem você respeita e principalmente o que passa pela sua cabeça.

Enquanto você achar que deve se sentir inferior e se envergonhar sempre que tem uma crise, todos aqueles que estão ao seu lado provavelmente pensarão da mesma forma e te acharão realmente inferior ou uma pessoa coitada e penalizada eternamente pela vida, agora se você mudar a sua postura, tudo pode ser diferente.

Você pode se sentir constrangido, irritado e até mesmo incomodado, mas jamais se sinta envergonhado, pois só deve se envergonhar aqueles que cometem erros e você não está fazendo nada de errado, na verdade está passando por uma situação que não é imposta por você.

Eduardo Caminada Junior


Epilepsia por toda a vida? (25/07/06)

É muito difícil quando percebemos que teremos de conviver com algo que nos incomodará a vida toda. Já fiz tudo o possível até o momento e em 32 anos como portador de epilepsia nada gerou o resultado que eu esperava de verdade. O que restão são os sonhos e desejos de um dia quem sabe encontrar uma solução que pelo menos possa me trazer uma melhor qualidade de vida em relação a epilepsia.

Hoje tenho uma vida muito limitada pelo fato de ter crises diárias e em períodos diferentes do dia, na época que tinha apenas crises durante o sono, apesar de ficar muito cansado durante o dia eu pelo menos sabia que poderia sair de casa sozinho e fazer inúmeras coisas que hoje não faço mais. Pensando bem não sei o que é pior, apenas o que sei e que tenho uma vida cheia de responsabilidades e que, independente de ser portador de epilepsia ou não, tenho que continuar com a cabeça erguida, olhando sempre para frente e que se conquistei tantas coisas até hoje, mesmo com tantos problemas, eu posso continuar em frente que conseguirei muito mais.

Tenho todo o direito de me queixar, de dizer que essa não é a vida que eu sempre sonhei, mas não posso me queixar de tudo que tenho, em todos os sentidos. Apesar de tudo, me considero uma pessoa feliz e tenho uma família e amigos maravilhosos que estão sempre ao meu lado me respeitando e sempre me tratando de igual para igual. Isso é uma coisa que sempre lutei para que fosse desse jeito e nunca vou pensar diferente.

Chega uma hora que nos enchemos de tanta crise, mas sei que existem pessoas que trocariam as suas vidas pela minha, com crise e tudo, então bom humor sempre e bola pra frente.

Eduardo Caminada Junior


Epilepsia e trabalho (17/07/06)

Comecei a trabalhar ainda como adolescente, depois parei para fazer faculdade e ainda quando estava no último ano de faculdade voltei a trabalhar. Sempre gostei muito de trabalhar e passei por algumas situações boas e outras nem tanto, é claro que as piores sempre marcam mais.

Quando tinha ainda 19 anos trabalhava em uma empresa na qual tinha o cargo de digitador, passava por uma fase boa em relação às crises, mas num certo dia tive uma crise na presença de alguns colegas de trabalho e depois comecei a perceber que estava sendo deixado de lado, o trabalho não era mais repassado para mim e me sentia excluído, indo trabalhar e passando dias sem fazer nada, aquilo claro era uma pressão para que eu pedisse demissão e foi o que acabou acontecendo, e em uma segunda vez eu passei por uma situação bem parecida onde depois de uma internação por dosagem excessiva da droga que usava na época no sangue tive uma intoxicação e fiquei alguns dias internado para que pudesse desintoxicar o sangue e inserir uma nova droga que pudesse ser útil ao meu tratamento e cessar, pelo menos temporariamente com as crises , e ao voltar ao trabalho sofri da mesma forma que a primeira sendo deixado de lado, mas dessa vez, depois do período legal para mandar embora uma pessoa que tenha estado internado, ou doente, eles fizeram isso sem nem mesmo permitir que eu cumprisse o aviso prévio.

Depois de quase três anos em situação difícil, tentando várias alternativas e fazendo vários tipos de trabalho, hoje eu trabalho em casa exercendo a mesma função de estatístico que exercia no último emprego.

Tive dificuldade no começo, pelo fato do relacionamento social ser de grande importância para mim. Preciso e muito estar junto de outras pessoas, mas hoje, na situação que enfrento, tendo crises diárias e em diferentes horários, não tenho somente as crises noturnas, essa está sendo a situação ideal de trabalho e sei que preciso e muito já que tenho uma filha de 11 meses e ela precisa muito do meu trabalho para ajudar no seu crescimento e na sua educação.

Tenho certeza que vivo um momento que apesar de todas as dificuldades me dá certa segurança, mas tenho certeza e acredito sempre que para todos que lutam e fazem por merecer um dia uma melhor oportunidade vai aparecer e bater na minha porta.

Eduardo Caminada Junior

Você se considera "especial"? (11/07/06) 

Lembro de um fato, quando tinha exatamente 7 anos de idade quando era uma criança muito levada e formadora de opinião na escola, em um dia que o diretor da escola acreditava que eu deveria estudar em uma escola para crianças especiais já que que pelo fato de ser portador de epilepsia eu não tinha condições de estudar em uma escola "normal" , pois isso afetava e muito o meu comportamento.

É claro que neste dia minha Mãe me retirou da escola, mas não para estudar em uma escola especial e sim para estudar em uma escola que todo e qualquer profissional que pudesse lidar comigo me tratasse da mesma forma que tratava todas as crianças ali presentes.

O convívio social propicia um desenvolvimento integral, de direito de todos, e as atividades coletivas devem ser muito valorizadas.

Crianças levadas, só são assim pois participam de um contexto geral que lhes fornecem subsídios para que assim sejam. Nessa época eu estava passando por um momento muito difícil junto com minha família e a escola era uma via de escape para as minhas frustrações e sentimentos.

Conforme o tempo foi passando eu fui mudando e enxergando as coisas de outra forma, pois tive que amadurecer para entender tudo o que estava acontecendo já que só assim conseguiria enfrentar a todas as dificuldades.

Só evolui aqueles que crescem quando enxergam os seus erros e daqueles com quem convive. Espero que o diretor da escola que eu estudava possa ter conseguido ver o erro que cometeu dizendo à uma Mãe que seu filho era especial sem nenhum fundamento lógico e que tenha aprendido o sulficiente para não cometer o erro novamente.

Me considero especial, mas não por causa das minhas condições mentais e desenvolvimento da minha inteligência, e sim por tudo que conquistei e ainda tenho objetivo de conquistar sabendo sempre que, apesar das limitações oferecidas, terei capacidade de chegar lá.

Eduardo Caminada Junior


Você se assume como portador de epilepsia? (07/07/06)

Acredito que um dos primeiros passos para cada um enfrentar esse problema seria assumir que ele existe e entender que o fato de ser portador de epilepsia não deve limitar os seus sonhos.

Desde pequeno, principalmente com a ajuda de familiares, fiz por entender que não seria bom para mim estar escondido e não dizer a todos a verdade. Provavelmente isso acontece com a grande maioria dos portadores de epilepsia pois vivemos em uma sociedade que ainda é muito preconceituosa em relação ao assunto e chega até ao ponto de associar a doença a fatos místicos e religiosos, sendo que ela tem um fundo apenas científico.

Não é fácil, nas primeiras vezes, olhar para qualquer pessoa e dizer que você é portador de epilepsia, mas se essa for a verdade ela tem que ser dita. Durante toda a minha vida já sofri muito preconceito, mas nunca deixei de me assumir e fazer com que as pessoas me respeitassem da forma que eu sou. Temos que entender que podemos ser iguais a qualquer um, temos, é claro, nossos limites, mas que qualquer outra pessoa que sofra de qualquer patologia, independente de qual seja, também tem.

Conheci algumas pessoas que não assumiam a doença, e quando alguém perguntava o que tinham, diziam que estavam tontos, provavelmente tinha tido uma queda de pressão, estresse, mas jamais assumiam que eram portadores de epilepsia, pois isso poderia ser motivo de preconceito. Sempre falei a todos os meus amigos, colegas de trabalho e familiares o que tinha e quais eram as características de minha crise, pois como a minha epilepsia é de difícil controle, eu posso ter uma crise a qualquer momento e então se as pessoas que estiverem comigo souberem o que está acontecendo poderão me ajudar, caso seja necessário.

Já fui inclusive mandado embora do trabalho por duas vezes pelo fato das pessoas terem descobrido que eu era portador de epilepsia, mas nunca deixei de assumir, perante todos as minhas condições. Sei do que sou capaz e que posso ser uma pessoa produtiva e feliz. Busco intensamente meus objetivos e a minha felicidade.

Às vezes tenho uma crise, como tive a alguns instantes atrás, e por algum motivo cai no chão e ao voltar fiquei para baixo e triste, mas imediatamente lembrei que tenho muito a fazer se quiser ser feliz e não é me afundando em tristeza que eu vou conseguir nada.

Se assumir é fundamental e aquelas pessoas que te tratarem diferente somente pelo fato de saber que você é um portador de epilepsia não merece o seu respeito.

Hoje eu, com todas as dificuldades sou uma pessoa feliz, tenho conciência que poderia ter conquistado muito mais coisas e produzido muito mais, mas estou satisfeito e muito com o que tenho hoje, mesmo assim quero sempre mais e é isso que me motiva sempre.

Para algumas pessoas ser tratado com pena, como um coitado pode ser confortável, mas isso nunca foi o que esperei para mim, e é por isso que sempre tomei essa postura de me assumir perante as pessoas para que elas pudessem me respeitar como uma outra pessoa qualquer e jamais me vissem como um coitado.

O tema preconceito com certeza ainda vai ser muito escrito por mim nesses textos, pois é muito polemico sempre.

Sejam felizes sempre e lembrem que se querem que algo seja diferente, começe por você mesmo, não se entregue nunca.

Eduardo Caminada Junior


Aprendi a ser inteligente (06/07/06)

Durante mais de 30 anos como portador de epilepsia uma coisa que sempre me incomodou muito foi a expectativa de uma consulta médica achando que a qualquer momento eu poderia chegar a frente de um médico que me dissesse qual era realmente o meu problema e o que teria que fazer para que ele fosse solucionado.

A princípio passei pelas mãos de inúmeros médicos e fiz, também, inúmeros tipos de tratamentos, pois se sabia que o diagnóstico era epilepsia, quais eram as características da crise, mas nunca se soube de verdade qual o foco, ou seja, porque eu tinha as crises. Fiz todos os exames possíveis e imaginários que a medicina oferecia durante anos e nada, apenas por volta do ano 2000 já com mais de 25 anos de diagnóstico foi que eu descobri ter uma lesão no lobo parietal esquerdo e que esse sim era o foco causador das minhas crises, até então tudo era muito obscuro e os próprios médicos quando percebiam que seus recursos tinham se acabado me atendiam e eu tinha aquela sensação de entrar no consultório e ele olhar para mim e pensar: “Ih é aquele caso complicado de novo, bom como não tem o que fazer, vou pedir para ele manter a medicação e voltar daqui a seis meses, caso estiver muito ruim insiro mais alguma droga para ver o que vai dar”.

Sentia-me perdido e nas mãos de pessoas que já tinham se desinteressado por mim e pelo meu caso. Passei por bons e maus profissionais até que percebi que muito em relação ao meu tratamento teria que partir de eu mesmo. Não adianta nada me queixar e não fazer nada para mudar, e ninguém conhece melhor a si do que você mesmo, então se eu queria que os médicos fossem úteis e que se interessassem pelo meu tratamento eu teria que mostrar que quando eu sentava naquela cadeira de frente para ele, ali não estava uma pessoa alienada e que não tinha a menor noção do que ele estava dizendo e foi assim que comecei a ver e mostrar ao meu médico que eu poderia ser um parceiro dele no meu tratamento e que eu poderia ajudar e muito.

Atualmente com o recurso da internet fica muito fácil saber sobre o assunto, novos exames, novas drogas e até mesmo tratamentos alternativos que podem ser úteis ou não, mas isso você só saberá caso quando tiver a sua consulta discutir sobre o assunto com seu médico, não demonstre estar perdido, pelo contrário mostre que você tem interesse em estar bem. Só que você deve lembrar a todo o momento que apesar de ser informado não deve jamais dispensar a opinião do seu médico. Você vai ver que ele vai te respeitar muito mais e perceberá a sua vontade e objetivo e poderá ser um aliado seu nessa luta tão difícil.

Acumular conhecimento é apenas conseqüência da vida daqueles que têm interesse em crescer, agora achar que os outros devem saber por você é diagnóstico de ignorância.

Eduardo Caminada Junior


O estigma em relação à epilepsia (04/07/06)

Há muito tempo atrás, pela falta de recursos para desenvolvimento de um estudo especializado os pacientes portadores de epilepsia carregavam um estigma de sofrer de um fenômeno mágico e algumas vezes considerado até demoníaco. Muitas pessoas foram internadas em hospitais psiquiátricos, outras até mesmo mortas e queimadas, pois as crenças da época justificavam as crises dessa forma.

O tempo passou, muito se descobriu sobre a epilepsia e mesmo assim algumas pessoas ainda questionam o conceito que temos hoje referente à doença.
Você sabe o que é epilepsia? Epilepsia é uma alteração neurológica muito comum, que se manifesta temporariamente e é reversível. Durante um curto intervalo de tempo o cérebro passa a enviar sinais incorretos para o restante do corpo e causam as chamadas crises.

Temos que ser conscientes e entender que o diagnóstico da epilepsia é essencialmente clínico e que se controlada devidamente, o paciente poderá ter uma vida normal dentro dos limites que a doença lhe impõe, já que a cada caso temos características diferentes que devem ser respeitadas no seu tratamento.

Os portadores de epilepsia e todas as pessoas envolvidas ou não com relação ao assunto devem entender que epilepsia tem tratamento e quanto mais cedo diagnosticado maior o resultado. Precisamos parar de nos esconder e lutar para que tenhamos um futuro com maiores perspectivas, deixar os estigmas de lado e não ficar esperando que um dia seu diagnóstico vai mudar sem que nada seja feito. Assuma e lute por você, da maneira que achar melhor, mas lute sempre. Se você que é portador não mudar esse estigma não adianta nada ficar esperando que os outros mudem.

Eduardo Caminada Junior



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