Inteligência para viver mais

8 de fevereiro de 2012

Recentemente, especialistas fizeram uma descoberta surpreendente: quanto mais baixo o nível intelectual de uma pessoa, maior o risco de ela ter uma vida mais curta.

Neste mundo pode-se dizer que nada é certo, exceto a morte e os impostos”, escreveu Benjamin Franklin. Embora muitos de nós sejamos claramente mais hábeis que outros em escapar do inevitável, no final a mãe natureza sempre acaba vencendo. Mas, ao longo da vida, a forma como as pessoas são prejudicadas (ou não) sofre grande variação. A genética e as oportunidades de vida (incluindo alimentação, condições de lazer etc.) explicam muito – mas não tudo. Se entendermos por que algumas pessoas vivem mais que outras, provavelmente conseguiremos reduzir essa disparidade. Quando cientistas descobriram estilos de vida e fatores biológicos que levam a uma vida mais longa e saudável, foi possível elaborar programas de intervenção para melhorar as perspectivas de saúde das populações.

Alguns hábitos, como fumar, são obviamente prejudiciais, mas de forma geral encontrar respostas não tem sido tarefa fácil. Isso porque cada um de nós começa sua jornada de vida em circunstâncias biológicas e ambientais únicas e depois prossegue colocando em prática numerosas opções, muitas das quais podem ter impacto direto sobre a saúde. Nenhum estudo, porém, é capaz de levar em conta todos os fatores – talvez nem mesmo analisar todas as pessoas do mundo seria suficiente para permitir investigações desse porte.

Recentemente, especialistas em psicologia, incluindo dois de nós (Weiss e Deary), têm se unido a epidemiologistas, como um de nós (Batty), em busca de pistas que possam prever quais aspectos de fato influenciam o bem-estar e as doenças e antecipam (ou retardam) a morte. Geralmente utilizamos séries históricas de estudos em saúde, que abrangem várias décadas. Nesses projetos, centenas, milhares ou às vezes até 1 milhão de pessoas são sistematicamente avaliadas e acompanhadas ao longo de vários anos. Analisando cuidadosamente esses dados, nós e outros pesquisadores descobrimos uma nova forma de prever a longevidade das pessoas: os escores obtidos em testes de inteligência quando jovens.

Os resultados são inequívocos, embora poucos profissionais da saúde os conheçam. Quanto mais baixo o nível de inteligência de uma pessoa, maior o risco de ela ter uma vida mais curta, desenvolver doenças físicas e mentais com o passar dos anos e morrer de patologias cardiovasculares, suicídio ou acidente. Obviamente não é possível fazer generalizações, mas é surpreendente que baixo nível de inteligência ofereça prognóstico tão forte de fatores de risco bem conhecidos para doenças e morte, como obesidade e hipertensão.

Com a descoberta dessa faceta inesperada da longevidade, nós e outros pesquisadores tentamos entender se fatores além da inteligência poderiam estar por trás dessas descobertas, como o nível socioeconômico, o grau de instrução e o tipo de atividade profissional exercida. Sabe-se, por exemplo, que pessoas menos instruídas em geral têm emprego pouco qualificado, exercem atividades manuais e recebem baixos salários; são mais suscetíveis a doenças e tendem a morrer mais cedo. Então seria fácil imaginar, por exemplo, que jovens inteligentes assimilam melhor o que lhes é ensinado, aprendem mais sobre saúde e por isso vivem mais. Porém, não é tão óbvio assim.

Estudos com gêmeos e voluntários com variados graus de parentesco mostraram que os genes desempenham papel importante na determinação do nível intelectual. Em pacientes com histórico familiar de doença cardiovascular, um baixo nível de inteligência pode servir de alerta para que seu coração seja monitorado regularmente. Se a pesquisa revela que pessoas menos privilegiadas intelectualmente têm menores oportunidades de receber avaliação adequada, de se sujeitar a medicação específica e de fazer exames de acompanhamento, esforços precisam ser realizados para envolvê-las nesse tipo de atividade. Como existem várias medidas de inteligência, profissionais da saúde e educadores deveriam ser capazes de intervir precocemente e ajudar os jovens a tomar mais decisões a favor de sua saúde. Também seria útil usar essa informação para preparar programas educativos.

Ensinar a crianças e adultos – independentemente de seu nível de inteligência – técnicas para manter um estilo de vida saudável, desenvolvendo bons hábitos alimentares e evitando agentes estressores, poderia diminuir os problema que se opõem à vida longa e ao bom funcionamento mental. No fim das contas, as descobertas dos epidemiologistas cognitivos encorajam o que todos já sabemos: manter comportamentos saudáveis desde cedo ajuda na proteção contra a devastação da idade.

Além disso, é preciso admitir: simplesmente ser inteligente pode não se configurar como o ingrediente mais importante da longevidade. Mas agir e decidir como pessoas inteligentes pode ser crucial.

 

Fonte: Mente & Cérebro

Eduardo

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Farmacêuticas fecham centros de pesquisa em Alzheimer e Parkinson (leiam)

7 de fevereiro de 2012
A farmacêutica suíça Novartis vai seguir o caminho dos laboratórios britânicos GlaxoSmithKline e AstraZeneca e fechará em breve a unidade de neurociência em Basileia, onde fica a sede da empresa. Em 2010, as duas multinacionais inglesas encerraram atividades de pesquisa para novos tratamentos de doenças cerebrais.

Os centros fechados estudavam tratamentos para problemas como depressão, Alzheimer, Parkinson, psicoses e transtornos de humor, entre outros.

A estratégia de mudar a direção dos investimentos ocorre após essas farmacêuticas investirem pesado em uma área que envolve alto risco e requer anos de estudos e testes clínicos em animais e humanos para obter resultados e remédios com segurança e eficácia comprovadas.

Segundo o psiquiatra Mauro Aranha, do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), é natural que os laboratórios revejam suas linhas de financiamento.

“Eles trabalham dentro de uma lógica de mercado, e as novas descobertas de psicotrópicos não acrescentam muito às drogas tradicionais, que são muito boas e mais baratas que as modernas”, diz.

Segundo Aranha, os medicamentos mais eficazes para tratar transtornos de humor, depressão e psicoses, por exemplo, são das décadas de 1950 e 1960. É o caso do carbonato de lítio, da imipramina, da clomipramina e da clorpromazina. “Eles são excelentes ainda hoje, com efeitos colaterais mais suaves que os recentes”, acrescenta.

O psiquiatra destaca, porém, que os governos precisam ter métodos de controle de vigilância sanitária para que os laboratórios não tirem do mercado os remédios que são eficazes e baratos.

“O fato de as farmacêuticas acabarem com pesquisas a gente até pode aceitar, mas descontinuar o que já existe e é de interesse público, não”, afirma.

Esse foi o caso da piridostigmina, contra miastenia grave (doença que causa fraqueza muscular), que saiu das prateleiras das farmácias e depois voltou.

A neurologista Elza Tosta, presidente da Academia Brasileira de Neurologia, diz que o impacto dessa estratégia das farmacêuticas pode ser grande, porque atualmente todos os grandes estudos na área são feitos pela indústria.

“Deveria haver uma maior presença do governo e parcerias com as universidades. Entendo que a indústria tenha que ver o lucro dela, mas é preciso repensar as políticas”, ressalta.

Aranha concorda: “As universidades públicas deveriam ser providas pelo Estado para não dependermos tanto das farmacêuticas na fabricação de novos medicamentos.”

Elza cita que nos EUA as universidades trabalham em pesquisas de forma paralela e independente dos laboratórios.

Pesquisa intensa
A médica afirma que, nos últimos 20 anos, tem havido ampla pesquisa sobre as doenças do sistema nervoso central, com uma excelente relação custo-benefício, já que problemas degenerativos, como o Alzheimer, não param de crescer com o envelhecimento da população.

“Ainda não há um medicamento 100% eficaz. Precisamos de mais prevenção e, enquanto muitas doenças não puderem ser evitadas, de mais poder curativo, com drogas eficientes”, diz.

Outro problema, na opinião dela, é o alto custo dos remédios contra doenças neurológicas, cognitivas e psiquiátricas. “E não é pela carga de impostos, é porque os estudos e testes são muito caros e podem levar décadas para darem certo”, comenta.

Segundo Aranha, os transtornos mentais são tratados com basicamente quatro grupos de medicamentos: antidepressivos (contra depressão, síndrome do pânico, transtorno obsessivo- compulsivo, estresse pós-traumático e fobias sociais), estabilizadores de humor (contra transtorno bipolar e outros), antipsicóticos ou neurolépticos (contra esquizofrenia e transtornos de impulso ou agressividade) e ansiolíticos ou tranquilizantes (contra ansiedade e insônia).

A versão das farmacêuticas
Segundo nota da Novartis, após o fechamento da unidade na Basileia, as pesquisas em neurociência vão ser centradas nos componentes genéticos das diferentes doenças e serão realizadas na região de Cambridge e Boston, nos EUA.

O laboratório também pretende se concentrar mais na área molecular e de desenvolvimento humano. Mais tarde, a empresa quer estudar doenças autoimunes, inflamações e transplantes. Programas clínicos já previstos ou em andamento não serão prejudicados, de acordo com a nota.

Também via assessoria, a GlaxoSmithKline informa que vai manter os investimentos em pesquisa e desenvolvimento no campo da neurociência, apesar do encerramento das atividades no centro de Verona, na Itália.

Atualmente, o laboratório britânico mantém estudos sobre doenças como esquizofrenia, depressão, ansiedade, distúrbios do sono e epilepsia. Este ano, a empresa deve solicitar à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a aprovação de 12 novos produtos voltados para o tratamento dessas doenças no Brasil. Hoje, a GlaxoSmithKline comercializa nove produtos no país com essa finalidade.

Ainda segundo a nota, a farmacêutica fechou no ano passado um acordo com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para apoiar projetos de pesquisa, capacitação de profissionais e co-investimentos iniciais de até R$ 3 milhões. Além disso, estuda doenças negligenciadas, como a malária, e novos antibióticos contra bactérias resistentes.

De acordo com a AstraZeneca, as pesquisas canceladas são especificamente no campo da psiquiatria, e há um empenho para desenvolver novos tratamentos em neurociência. Hoje, o laboratório tem dez medicamentos no mercado, entre anestésicos, antipsicóticos e remédios contra enxaqueca.

A empresa diz que também concentra estudos em fase 2 para o tratamento de doenças como Alzheimer, Parkinson, dor crônica e depressão. E seu foco são principalmente drogas contra problemas infecciosos, gastrointestinais, cardiovasculares, respiratórios e oncológicos.

 

Fonte: G1

Eduardo

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Cientistas desenvolvem método não invasivo para monitorar a pressão intracraniana

6 de fevereiro de 2012

Há mais de dois séculos perdurava um dogma na medicina, conhecido como doutrina de Monro-Kellie, que afirmava que o crânio é uma estrutura óssea rígida e inextensível.

Antes era necessário raspar o cabelo e realizar uma pequena incisão na cabeça. Agora isso pode mudar - Divulgação Antes era necessário raspar o cabelo e realizar uma pequena incisão na cabeça. Agora isso pode mudar

Nos últimos cinco anos, pesquisadores do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos começaram a derrubar esse paradigma, estabelecido em 1783.

Eles provaram que o aumento ou a diminuição da pressão intracraniana causa variações volumétricas lineares na caixa craniana. E que, em função dessa pequena elasticidade da estrutura óssea, seria possível medir e monitorar a pressão interna do cérebro de pacientes com hidrocefalia, traumatismo craniano e tumores, sem a necessidade de perfurar o crânio, como fazem os equipamentos existentes atualmente.

 Para isso, os cientistas fundaram uma empresa e desenvolveram por meio de um projeto, realizado com apoio do Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), um método simples e minimamente invasivo.

Idealizado pelo professor Sergio Mascarenhas, fundador e ex-coordenador do polo do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP em São Carlos, o equipamento ganhou agora mais duas novas versões.

“Começamos o projeto com um método minimamente invasivo e, por meio das pesquisas que realizamos ao longo desses cinco anos, conseguimos desenvolver nos últimos meses mais dois equipamentos não invasivos”, disse Gustavo Henrique Frigieri Vilela, pesquisador da empresa Sapra Assessoria, apoiada pelo PIPE, à Agência FAPESP.

Segundo Vilela, para realizar o monitoramento da pressão intracraniana pelo primeiro equipamento que desenvolveram, era necessário raspar o cabelo e realizar uma pequena incisão na pele da cabeça do paciente, de modo a colar um sensor sobre o crânio que registra sua deformação óssea – que é proporcional à pressão interna do cérebro.

Por meio dos dois novos equipamentos não é preciso sequer cortar o cabelo do paciente. “Basta tocar o sensor sobre o couro cabeludo para realizar o monitoramento”, afirmou.

A primeira nova versão do equipamento, que pode ser utilizada em clínicas e ambulatórios, é um sistema que se prende à cabeça do paciente para medir a deformação do crânio.

Por sua vez, o segundo novo equipamento, batizado de Brain Strap, é uma faixa de 10 centímetros para ser colocada em volta da cabeça do paciente, que não precisa ficar imóvel e pode estar acordado ou realizando atividade física durante o monitoramento.

Segundo Vilela, os dois novos equipamentos têm a mesma sensibilidade do método minimamente invasivo e serão patenteados nos Estados Unidos e alguns países da Europa por meio do apoio da FAPESP.

Os três equipamentos estão em fase de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e serão certificados posteriormente na agência regulatória de alimentos e fármacos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) e na Comunidade Europeia para poderem ser comercializados.

“Nós aprimoramos os protótipos dos equipamentos, depois patenteamos e agora estamos na fase de registro para podermos alcançar o mercado”, disse Vilela.

Artigos e nova empresa

O equipamento minimamente invasivo foi testado em pacientes com traumatismo cerebral internados no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto.

Posteriormente, passou a ser testado para diversas outras aplicações, como no diagnóstico e acompanhamento de pacientes com acidente vascular cerebral (AVC) – que aumenta o volume interno do cérebro e a pressão intracraniana -, além de no diagnóstico de morte encefálica, quando desaparece a pressão intracraniana, e epilepsia.

Outras possíveis aplicações do equipamento estão em farmacologia, para medir os efeitos de drogas que atuam sobre desequilíbrios químicos do cérebro que alteram a pressão intracraniana – como a enxaqueca – e em veterinária, para medir a pressão intracraniana de animais de grande porte, como boi e porco, de modo avaliar a presença de encefalite – que aumenta o encéfalo e a pressão intracraniana.

Comparando o equipamento com os métodos invasivos existentes hoje para monitorar a pressão intracraniana nos estudos clínicos iniciais, de acordo com Vilela, os resultados atingidos pelo dispositivo que criaram foram melhores. Além disso, o método minimamente invasivo também foi capaz de captar os sinais de respiração e batimento cardíaco dos pacientes.

“O equipamento passou de ser um monitor clínico para um multiparamédico, capaz de registrar, além da pressão intracraniana, as frequências cardíaca e respiratória dos pacientes”, afirmou.

Em fevereiro, os pesquisadores brasileiros publicarão um capítulo na Acta Neurochirurgica Supplementum, em que demonstram por meio do método que desenvolveram que a doutrina de Monro-Kellie não é mais válida.

Intitulado Intracranial Pressure and Brain Monitoring XIV, o livro reunirá cerca de 80 artigos de pesquisas apresentadas no 14º Simpósio Internacional de Pressão Intracraniana e Monitoramento Cerebral, que ocorreu em setembro de 2010 em Tuebingen, na Alemanha.

Em março, eles também publicarão outro artigo, no International Journal of Mechatronics and Manufacturing Systems, em que descrevem a utilização do novo equipamento e do método minimamente invasivo para o monitoramento da pressão intracraniana em neurocirurgia e neurofisiologia.

 “Nosso projeto tomou uma proporção um pouco maior do que imaginávamos no início e possibilitou o surgimento de uma nova empresa, chamada Brain Care, que estamos registrando para comercializar os equipamentos para aplicação neurológica”, disse Vilela.

 

Fonte: Fapesp

Eduardo

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