Tratamento

Como já dito em 70% dos casos, ou seja, em sua grande maioria, os casos de epilepsia são tratados através de controle medicamentoso com uso de um único tipo de droga ou combinações de drogas que podem trazer grandes benefícios aos pacientes, chegando até em controlar totalmente as crises e em alguns dos casos depois de algum tempo de uso chegam a ser dispensados e o paciente consegue "viver normalmente" sem uso de medicamentos e sem crises.

Nos casos em que isso não acontece existem outros tipos de tratamentos na tentativa de cessar as crises ou até mesmo de tentar melhorar a qualidade de vida dos portadores de epilepsia.

 

Cirurgia

Nos casos cirúrgicos, aqueles que correspondem a aproximadamente 30% dos casos, os resultados positivos podem chegar a até 80% dos casos. A cirurgia se desenvolveu, principalmente, a partir dos anos 80 com o avanço da tecnologia nos exames de imagens. A ressonância magnética estrutural e a funcional (SPECT), além do monitoramento em vídeo, permitem fazer um diagnóstico exato do foco epiléptico.

Os pacientes, durante a avaliação médica, são monitorados 24 horas por dia. Os exames realizados durante as crises fornecem informações para que se estabeleça qual a provável área cerebral em que se originam as crises epilépticas.

Na vídeo-eletroencefalografia (vídeo-EEG) é feito o registro simultâneo das crises e do eletroencefalograma. A ressonância magnética permite diagnosticar a presença de lesões no cérebro que possam estar causando as crises. Com o SPECT cerebral, examina-se o fluxo de sangue no cérebro que na hora da crise pode estar aumentado e fora da crise, ao contrário, pode estar normal ou diminuído.

Associado aos exames, o paciente passa por testes neuropsicológicos, através dos quais são avaliadas as funções cerebrais, as anormalidades ou disfunções cerebrais, permitindo sugerir quais as áreas envolvidas na geração das crises.

Somente após esses exames é possível afirmar se há um único foco que gera as crises epilépticas, e principalmente, se é possível sua remoção sem causar prejuízo para outras funções cerebrais. A cirurgia só é realizada se a epilepsia for localizada (focal), não sendo realizada quando a doença é generalizada no cérebro (multifocal). Como em qualquer outra doença, os médicos só optam pela cirurgia quando a expectativa de benefícios supera, em muito, os riscos.

Embora não haja uma idade determinada para a cirurgia, a tendência mundial é de se operar precocemente o portador de epilepsia.

Fonte: Comciência

 

 

Dieta Cetogênica

Outra alternativa de tratamento indicada para crianças é a dieta cetogênica. É uma dieta rica em gorduras, com quantidades reduzidas de açúcares e proteínas, calculada de acordo com a idade e peso do paciente. Aproximadamente, um terço dos pacientes submetidos ao tratamento com a dieta tem suas crises controladas, enquanto outro terço apresenta uma melhora significativa.

É uma dieta programada que induz o organismo a utilizar uma via metabólica alternativa, produzindo "cetose", a qual consiste na alta concentração de corpos cetônicos no sangue. Em condições normais, o sistema nervoso é fortemente dependente da glicose como fonte de energia, mas em situações de jejum, como no caso da dieta cetogênica, o cérebro passa a utilizar também os corpos cetônicos que funcionam como uma reserva energética, que aumenta a estabilidade cerebral reduzindo as crises epilépticas.

A dieta é feita com altos níveis de gordura, sendo pobre em carboidratos e proteínas. Ela faz o corpo queimar a gordura para produzir energia ao invés de usar a glicose. Deve ser iniciada em ambiente hospitalar com jejum programado por 24 a 48 horas. Após indução da cetose, o paciente segue com a dieta em casa por cerca de dois anos, sendo necessário controlar o nível dos corpos cetônicos urinários e a glicemia, três vezes ao dia.

A resposta à dieta é variável. Um número significativo de pacientes apresenta diminuição dos episódios de crises e outros, remissão total. Alguns pacientes não apresentam qualquer resposta ao tratamento. Após iniciada a dieta, os resultados podem ser esperados em até dois meses, indicando-se interrompê-la após esse período, caso não traga benefício ao paciente.

Os efeitos colaterais da dieta se referem principalmente à hipoglicemia, pela qual o paciente pode apresentar náuseas, fraqueza, sudorese, vertigem e letargia. Tem sido também relatado desenvolvimento de cálculos renais, além de diarréia, perda de peso, irritabilidade e complicações cardíacas.

A importância da dieta cetogênica está no fato de que 20% das crianças que apresentam epilepsia têm crises de difícil controle medicamentoso. O melhor controle das crises beneficia o desenvolvimento neuropsicomotor e proporciona melhora na qualidade de vida destas crianças. Desse modo a dieta cetogênica pode ser utilizada como um tratamento alternativo para a redução das crises epilépticas.

Fonte:Espaço Real Médico 

 

 

Terapia VNS (Estimulação do Nervo Vago)

A terapia VNS usa um pequeno aparelho que envia estímulos elétricos ao nervo vago esquerdo localizado no pescoço. O nervo vago é um dos principais elos de comunicação entre o corpo e o cérebro. Ele libera o estímulo elétrico para o cérebro onde se acredita que as crises são iniciadas. A terapia VNS ajuda a prevenir as irregularidades elétricas que causam as crises.

Implantar o aparelho envolve um procedimento cirúrgico simples, o qual significa uma estadia curta no hospital. O gerador de pulso da terapia VNS é implantado sob a pele, exatamente abaixo da clavicula ou perto da axila. Uma segunda incisão pequena é feita no pescoço para fixar dois minúsculos fios ao nervo vago esquerdo através dos eletrodos. Os fios são colocados sob a pele, desde o gerador de pulso até o nervo vago no pescoço. Além de finas cicatrizes, as quais desaparecem com o tempo e misturam-se com a dobra natural do seu pescoço e a uma pequena saliencia no seu peito, o aparelho é dificilmente notado.

O aparelho da terapia VNS é geralmente ligado duas semanas depois da cirurgia. Ele é programado para liberar minúsculos estímulos elétricos automaticamente, 24 horas por dia.

A bateria geralmente dura entre cinco e dez anos dependendo da programação da estimulação. Nesse momento, o aparelho pode ser trocado numa cirurgia mais simples, a qual envolve apenas o torax.

A terapia VNS foi clinicamente provada para proporcionar uma terapia segura ao longo do tempo. Mais de 55.000 pacientes no mundo inteiro, de todas as idades e com tipos de epilepsia variados têm sido tratados com sucesso com a terapia.

A maioria dos médicos prefere continuar com as medicações sem alteração por alguns meses. Pode ser necessário continuar com  a medicação antiepiléptica juntamente com a terapia VNS. No entanto, podendo existir uma redução ao longo do tempo.

Fonte: Politec Saúde

 

 

Medicina Tradicional Chinesa (MTC)

Na definição da Medicina Tradicional Chinesa (MTC), a saúde é um estado de harmonia entre as funções orgânicas internas e entre o ser humano e o meio ambiente onde vive. Na natureza, os fenômenos podem ser divididos, de uma forma simplista, em dualidades opostas, denominadas pelos antepassados chineses de ying-yang, que apresentam um estado de equilíbrio dinâmico. Essa compreensão foi estendida ao entendimento do funcionamento dos organismos vivos. No corpo humano o fluxo ininterrupto e suave das substâncias essenciais mantém as funções adequadas dos órgãos internos e, conseqüêntemente, asseguram as atividades nervosas e mentais, manifestando externamente um estado de saúde e bem estar. 

A MTC se baseia em quatro grandes pilares: fitoterapia. dietoterapia, acupuntura e meditação. A fitoterapia consiste no cuidado das doenças através do uso de plantas; a dietoterapia é o simples uso de uma alimentação saudável e adequada; a acupuntura visa o equilíbrio da energia (C'HI) no corpo através do acesso a pontos estratégicos com o uso de agulhas; a meditação em todo o tratamento é de extrema importância.

A MTC tem por princípio tornar a vida das pessoas mais agradável e saudável gerando um estado de espírito  adequado para afastar todos os tipos de doenças. Todas as doenças têm origem nas emoções (estado de espírito), a MTC não procura aplacar as doenças, mas procura tratar o motivo pelo qual ela foi desencadeada.

Epilepsia - A epilepsia é chamada pela MTC de DIAN XIAN, que significa: "vento interno". Vento simboliza perturbação, turbulência de algo equilibrado. Existem os ventos internos, que podem ter origem no nascimento ou serem adquiridos ao longo da vida através de algum traumatismo ou tumor. Existem também os chamados ventos externos, que hoje são relacionados pelas técnicas ocidentais a vírus, bactérias e outros microorganismos presentes no ar. Para o tratamento da epilepsia é necessário que o vento cesse. A epilepsia também tem relação com a emoção, e são mais frequentes em períodos de estresse, que por si só provoca o desequilíbrio do ying-yang.

O tratamento ideal para a epilepsia seria através de todas as formas, fitoterapia, dietoterapia, acupuntura e meditação. A meditação auxiliaria no controle da aura (sensação que precede uma crise).

Atualmente, nos centros dedicados a epilepsia na China, usam-se concomitantemente o conhecimento "ocidental" e a teoria chinesa tradicional para o diagnóstico e tratamento. OS principais exames complementares, EEG e os de imagem, e a prescrição de drogas alopáticas são partes indispensáveis na abordagem integrativa. A acupuntura associada ao uso de medicação chinesa tradicional constitui outros componentes dessa abordagem.

Apesar de não possuir ainda uma evidência clínica consistente publicada na literatura médica especializada, acredita-se que a abordagem integrativa usando os conceitos ocidentais e tradicionais chineses pode contribuir no bem estar e melhora da qualidade de vida das pessoas com epilepsia, por reduzir grau de ansiedade e promover qualidade do sono. Isso não permite dizer que a epilepsia está sob controle, é erroneo cogitar reduzir ou retirar as medicações sem o conhecimento do médico. Uma boa comunicação entre médico e paciente sobre utilização de medidas convencionais é fundamental na tomada de decisão compartilhada.

Fonte: Revista Sem Crise (ASPE)



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